“Trata-se de uma vitória acachapante do partido democrata em quase todo o país, incluindo em vários estados onde o partido republicano tem dominado há muitos anos, como o Texas, a Carolina do Sul e o Kansas”
EUGENE WEBB *
Até mesmo as previsões mais otimistas das pesquisas realizadas antes das eleições da metade do mandato de Trump não indicavam o tsunami democrata, quando os democratas ganharam ampla maioria na Câmara de Deputados e no Senado dos Estados Unidos. De acordo com os resultados já divulgados pelas diversas fontes da mídia, até a manhã do dia 4 de novembro os democratas já conquistaram 228 cadeiras contra 139 dos republicanos, e ainda há 68 cadeiras em disputa, das quais os democratas podem conquistar pelo menos 20.
ONDA AZUL
O site do canal MS Now, que é francamente a favor dos democratas, estima que os democratas chegarão a 250 deputados contra 160 dos republicanos. Já no senado, os democratas conquistaram 54 cadeiras contra 44 dos republicanos. Nas disputas para governador, o partido democrata ganhou em 28 estados contra 20 do partido republicano, mas falta saber como esta significativa vitória alterará a correlação de força nas assembleias legislativas a favor dos democratas.
Em resumo, trata-se de uma vitória acachapante do partido democrata em quase todo o país, incluindo em vários estados onde o partido republicano tem dominado há muitos anos, como o Texas, a Carolina do Sul e o Kansas.
Sem dúvida a vitória mais expressiva da chamada “onda azul,” que é a cor do partido democrata, ocorreu no Texas, onde o candidato ao senado James Talarico obteve 55.1% dos votos contra 43% do candidato republicano Ken Paxton, que era Procurador-Geral do estado e forte aliado de Trump. Os democratas também ganharam o governo estadual, que era controlado pelo partido republicano há décadas.
Segundo o jornal Financial Times, o Comitê de Ação Política (PAC em inglês) do Elon Musk, doou 47 milhões de dólares de dólares para apoiar a campanha de Paxton, que apesar de toda essa dinheirama, foi derrotado. A importância do Texas no cenário político dos EUA é enorme, porque é o segundo estado mais populoso, onde há muitos políticos reacionários que defendem o neofascismo de Trump abertamente, e porque sempre foi considerado como território republicano de vanguarda. Os democratas vem ganhando terreno nas últimas eleições mas ainda não tinham vencido, e daqui para a frente o Texas passa a ser de novo área de disputa com grande peso para as eleições de 2028.
DERROTA DE GRAHAN
Uma segunda vitória expressiva foi a eleição de Annie Andrews, candidata democrata ao Senado, que derrotou a senadora interina republicana Darline Graham – irmã e substituta temporária do recentemente falecido senador neofascista Lindsey Graham – com 55.1% dos votos contra 46.7 % de Graham. A Carolina do Sul é outro estado onde os republicanos têm hegemonia há décadas, cujo senador Graham representava os interesses do complexo militar-industrial e liderou no Senado as políticas imperialistas de Trump no Iraque, Afeganistão, Ucrânia e Irã. Segundo analistas da grande mídia, a participação e apoio massivos dos eleitores negros decidiu a eleição para Andrews.
Uma terceira vitória muito expressiva foi a eleição de Adam Hilton, candidato democrata ao Senado, que derrotou o senador Roger Marshall, com margem estreita de 50.9% contra 46.1% de Marshall. Hilton é pastor conhecido da igreja metodista, candidato pela primeira vez, e prometeu fazer política unindo o interesse dos dois partidos. O Kansas era território republicano há décadas, já que os democratas não ganhavam eleição para o Senado no estado desde 1932.
Os resultados das eleições para o Senado nos três estados demonstram o enorme desgaste do presidente Trump e do neofascismo no país. O futuro líder democrata na Câmara de Deputados, Hakeem Jefries, deputado de Nova Iorque, celebrou o sucesso do partido afirmando que “A América Voltou… Nós vamos lutar por uma América acessível, vamos acabar com o pesadelo, e vamos continuar a longa, necessária, e majestosa jornada na direção de uma União mais perfeita. Que Deus abençoe a todos!!! Que Deus abençoe os nossos impressionantes candidatos!!! Que Deus abençoe os Estados Unidos da América!!!
AUMENTO DOS PREÇOS
As campanhas do partido democrata se concentraram nas dificuldades enfrentadas pela grande maioria da população como resultado do aumento dos preços da gasolina, do óleo diesel, dos alimentos, que por sua vez são consequência direta do ataque dos EUA ao Irã. O candidato democrata eleito para o senado em Michigan, Abdul El-Sayed, muçulmano, resumiu muito bem e com humor a trajetória da sua vitoriosa campanha, ao comemorar com seus apoiadores a vitória:
“Meu nome é Abdul Rahman Muhammad El-Sayed, [falando árabe]. Este movimento a favor do dinheiro fora da política, dinheiro no seu bolso, e Medicare para todos [serviços de saúde universais]. Eu só quero agradecer a todos que bateram nas portas, fizeram ligações por telefone, doaram um dólar, postaram uma estória, e mais importante, mostraram o seu compromisso com a democracia. Vocês apostaram no mais improvável candidato… Michigan, não posso esperar para servi-los com a mesma generosidade, tolerância, garra, e honestidade que vocês demonstraram para mim.
Vocês me acolheram nas suas casas, igrejas, sinagogas, reuniões de veteranos de guerras, e sindicatos. Vocês compartilharam comigo momentos de frustração, tristeza e vulnerabilidade. Vocês me deram graça e força nos meus momentos mais difíceis e a esperança e inspiração que deram gás ao melhor de mim. E eu espero que leve tudo comigo para Washington para servi-los. Obrigado pela sua confiança, suas crenças e gentilezas…O mês passado tornou muito visível o que está em jogo nestas eleições. O nosso bonito movimento foi construído ao longo da campanha do último ano e meio nas pequenas, médias e grandes cidades de Michigan. Nós falamos sobre um Michigan maior, mais brilhante e esperançoso. O deles [dos adversários] é uma campanha artificial, marqueteira, financiada por corporações, construída para enganar e distrair.
CAMPANHA DE DIFAMAÇÃO
Em vez de nos unirmos para enfrentar a crise da gasolina e dos mantimentos, a oposição decidiu por tentar nos dividir. Primeiro, eles focaram no meu nome e na minha fé, para tentar dizer que ‘ele é um pouco diferente.’ Quando isto não funcionou, tentaram culpar-me por semelhanças [com terroristas muçulmanos]. E quando isto não funcionou, vieram com tudo contra mim em uma das campanhas mais feias que vimos em todas as nossas vidas.
Eles focaram no meu nome e na minha fé, mas todos nós sabemos que o meu nome e a minha fé não são a razão pela qual vocês não têm dinheiro para a sua gasolina. Não é a razão pela qual vocês não tem dinheiro para comprar mantimentos. Não é razão pela qual vocês não podem ter acesso a um médico… Eles estavam alvejando e atacando a grande ideia da América. Vejam, eles odeiam a ideia de uma América grande o suficiente para qualquer um que pareça um pouco diferente, que reze um pouco diferente, ou cuja família venha de outra parte do mundo. Isto me inclui, mas inclui também qualquer e todos que não pareçam com eles, que não rezem como eles, que não amem como eles, ou que não sejam rico como eles”.
O discurso de El-Sayed continuou sintetizando o que cala fundo nos eleitores democratas, desde a crise econômica que assola o país até o genocídio dos palestinos e a guerra do Irã. A maioria do povo votou principalmente por causa do bolso, mas votou também contra as manifestações típicas do neofascismo com características estadunidenses, como a corrupção da família Trump, a ditadura das Big Techs, os ataques à democracia e a megalomania de um presidente que pensa que é rei. Trump não estava na cédula eleitoral mas foi julgado e daqui até o fim do mandato será um presidente acossado e enfraquecido. Vamos ver o que os democratas farão até lá.
* Professor de Massachusetts e colaborador do HP nos EUA












Uma resposta
agora o novo Congresso dos Democratas DEVE começar a LIMPEZA, livrando os eua dos fugitivos golpistas(flavio, eduardo, alan santos, figueiredo, ramagem e outros vermes). expulsem ou deportem esses bandidos e golpistas para que cumpram suas penas no Brasil. e que sejam jogados num presidio Federal, sem progressão de pena ou qualquer privilégio.