Flávio Bolsonaro (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Bianca Borges, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), e contra dirigentes sindicais e de movimentos sociais que fazem campanha pela reeleição de Lula. O senador quer que a Justiça Eleitoral restrinja a atuação dessas entidades até o fim do segundo turno, justamente quando estudantes tomam ruas e universidades de norte a sul do país.
“A ação de Flávio Bolsonaro é a prova de que nossa mobilização tem muita força para derrotá-lo”, reagiu Bianca, em entrevista ao jornalista Inácio Carvalho, durante a gravação do programa Entrelinhas Vermelhas. “Além das ruas e redes, temos as brigadas estudantis que estão conversando com as pessoas para convencê-las a votarem no presidente Lula. Não vamos nos intimidar.”
Nas redes sociais, a presidenta da UNE foi direta: “O medo com a nossa virada, que já começou, é tão grande, que do lado de lá tem gente tremendo na base”.
A ofensiva foi formalizada na quarta-feira (14) pelos advogados da campanha de Flávio, por meio de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). Além de mirar as organizações, o processo pede a cassação do registro da chapa de Lula e Geraldo Alckmin (PSB) e a inelegibilidade dos envolvidos por oito anos. Bianca Borges está entre os dirigentes citados.
A petição também atinge centrais sindicais e organizações que defendem pautas como o fim da escala 6×1. O PL acusa essas entidades de favorecer a candidatura petista e alega irregularidades na atuação eleitoral.
TENTATIVA DE CENSURA
Nesta quinta-feira (15), a diretoria da UNE divulgou nota em que repudia o processo movido por Flávio contra a entidade e sua presidenta. “A iniciativa tenta intimidar o movimento estudantil e usar a Justiça Eleitoral para censurar a livre manifestação dos estudantes brasileiros”, afirma o texto.
A entidade defende a legitimidade da decisão de apoiar Lula. “O apoio da UNE a Lula no segundo turno foi aprovado democraticamente pela diretoria da entidade, diante do risco que o bolsonarismo representa para a educação, a ciência e a democracia”, diz a nota.
Para a UNE, a ação judicial é uma reação ao crescimento da campanha estudantil. “Desde 5 de outubro, estudantes de todo o país se organizam em defesa desse projeto. É justamente essa mobilização que incomoda a campanha adversária.”
A diretoria também anunciou os próximos passos: “A UNE não se intimidará. Vamos ampliar as brigadas de vira voto, realizar grandes atos nos dias 18 e 24 em todo o país e garantir a vitória no dia 25”. O texto termina com a palavra de ordem “Censura, não! Viva a UNE e o movimento estudantil!”.
“NEM A DITADURA MILITAR PAROU A UNE”
Bianca Borges lembrou a resistência histórica da entidade ao responder à ofensiva. “Nós temos visto os estudantes ocuparem norte a sul do país, o verdadeiro tsunami da esperança pela reeleição do presidente Lula e para dizer não mais uma vez à família Bolsonaro. A nossa luta não vai parar por aqui. Nem a ditadura militar parou a União Nacional dos Estudantes”, afirmou.
As brigadas estudantis procuram eleitores, inclusive quem não votou no primeiro turno, e devem seguir em atividade até 25 de outubro. Os estudantes se mobilizam em torno de temas que afetam diretamente suas vidas, como educação, trabalho e democracia.
“A nossa resposta será dada ao Flávio nas urnas”, finalizou Bianca.











