União Europeia condena “retórica atroz e incendiária” do ministro de Netanyahu

"Ministro de Israel não pode ficar impune", declara o porta-voz da União Europeia (EUNews)

A Comissão Europeia exigiu ao regime de Israel para acabe com a”retórica atroz e incendiária” do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, após suas recentes declarações nas quais defendeu o assassinato de “30 a 40” palestinos todas as noites em Gaza.

O Governo israelense tem a responsabilidade de conter este tipo de retórica”, afirmou o porta-voz da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros, Anouar El Anouni, numa conferência de imprensa em Bruxelas, nesta terça-feira (25).

O porta-voz da UE questionou as declarações genocidas do ministro, que também apelou à intensificação dos ataques à Faixa de Gaza, e defendeu a construção de “colonatos judaicos” na  região palestina porque os residentes “nem sequer são pessoas”.

Anouar El Anouni frisou que o uso dessa linguagem “atroz e incendiária” é “inaceitável” e “não deve ficar impune”.

Neste sentido, destacou a proposta da Comissão Europeia apresentada ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) para incluir o ministro israelense na lista de sanções do bloco comunitário ao abrigo do regime global de medidas contra violações dos direitos humanos.

CIVIS E CRIANÇAS DEVEM SER PROTEGIDOS DOS ATAQUES ISRAELENSES

Relativamente à intensificação dos ataques israelenses a Gaza e à situação dos menores palestinos, o porta-voz reiterou que os civis, “particularmente as crianças”, são descontroladamente atacados e devem ser protegidos em todos os momentos, de acordo com o Direito Internacional Humanitário.

Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ameaçou novas expulsões da população de Gaza caso esta não cessasse imediatamente o lançamento de “pipas, drones e balões” a partir do enclave, apesar de o próprio exército ter confirmado que estes objetos não transportavam nada perigoso.

Por outro lado, a Comissão Europeia apelou novamente a Israel para retirar o concurso para a construção de mais de 1.200 habitações no

funesto projeto do assentamento E1, localizado a leste de Jerusalém, na Cisjordânia ocupada, parte de um plano de expansão, aprovado em agosto de 2025, que prevê a construção de 3.400 habitações.

El Anouni avisou que o desenvolvimento desse plano dividiria a Cisjordânia em duas, isolaria Jerusalém Oriental e enfraqueceria ainda mais a viabilidade da solução de dois Estados, num contexto também marcado pelo aumento da violência dos colonos.

“A posição da UE é clara”, sublinhou o porta-voz, insistindo que os assentamentos israelenses  na Cisjordânia, incluindo a área E1, são “ilegais” ao abrigo do Direito Internacional.

ASSENTAMENTOS CONSTITUEM PROCESSO DE ANEXAÇÃO

O projeto já mereceu também a oposição do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que afirmou que a expansão “teria graves consequências para a integridade territorial do Território Palestino Ocupado e representaria uma ameaça existencial para a solução de dois Estados”.

O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, instou Israel a “abster-se de adotar novas medidas a este respeito e a agir em conformidade com as resoluções relevantes das Nações Unidas e com o Parecer Consultivo do Tribunal Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024”.

O parecer defende que a política de construção de assentamentos nos territórios palestinos ocupados viola a proibição da deslocação forçada de pessoas e constitui um processo de anexação.

Desde o início da invasão a Gaza, em outubro de 2023, as forças israelenses têm realizado intensos ataques aéreos em diferentes áreas da Faixa, causando destruição generalizada de casas e infraestrutura, além do deslocamento repetido da população palestina.

Em Gaza, as autoridades palestinas apontam que a guerra genocida de Israel, iniciada em 7 de outubro de 2023, matou mais de 73.430 pessoas e feriu mais de 174.440, a maioria mulheres e crianças.

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