Vendas nos supermercados crescem 1,3% em abril, aponta IBGE

Na comparação com abril do ano anterior, o comércio varejista registrou alta de 1,0%.(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Consumo de bens dependentes de crédito apresentaram queda no mês, levando as vendas totais do comércio varejista a recuarem 1,5% em relação a março: material de informática, vestuário, eletrodomésticos e móveis ficaram no vermelho

As vendas do comércio varejista recuaram 1,5% em abril em comparação com março (alta de 0,7%), segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Das oito atividades analisadas pela pesquisa, seis tiveram recuo nas vendas na passagem de março para abril, com destaques para combustíveis e lubrificantes, com queda de 6,2%. No lado positivo, destacaram-se Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,3%), que apresenta o maior peso para o índice, e Livros, jornais, revistas e papelaria (1,1%).

Houve retração nas vendas de outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%), Móveis e eletrodomésticos (-0,8%), tecidos, vestuário e calçados (-0,1%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,1%).

Grande parte deles, depende de crédito, submetido às mais altas taxas de juros do planeta, além da renda das famílias ainda estar comprometida com alto nível de endividamento e de inadimplência.

Devido à pressão dos juros altos sobre a demanda, o comércio também mostra desaceleração no ritmo de vendas na comparação anual, registrando alta de 1,0% em abril, após o avanço de 4,0% em março. No acumulado do ano, o volume de comércio varejista cresceu 2,0% e nos últimos 12 meses avancou 1,5%.

O gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, avalia que a queda nas vendas no quarto mês de 2026 se dá após uma base de comparação elevada, uma vez que os três meses anteriores haviam sido de alta. Santos também explica que o que antes puxava o índice para cima “foi justamente o que caiu em abril”.

“O ponto é que, se antes um consumo mais intensivo em bens não essenciais vinha sustentando a alta, agora essas mesmas atividades devolveram o crescimento”, ressalta Santos.

VAREJO AMPLIADO

Já as vendas do comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças, material de construção, etc, recuaram 0,7% em abril, após não crescerem (0,0%) em março de 2026. Em abril, as vendas de Veículos e motos, partes e peças caíram -0,7% e a de Material de construção cederam -3,6%.

Frente a abril de 2025, o varejo ampliado avançou 1,4%, sinalizando perdas de dinamismo ante a março (6,5%). No ano, o indicador avançou 1,8% e nos últimos 12 meses, 0,2%.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deu início hoje à sua reunião de dois dias (16 e 17), na qual decidirá se vai realizar um novo corte na taxa básica de juros (Selic), atualmente fixada em 14,50%. 

Nas últimas semanas, os bancos têm agido para pressionar o Copom a interromper a queda dos juros e forçar uma nova escalada da taxa já em agosto. Para isso, inflam as expectativas de inflação e utilizam seus porta-vozes na mídia para atacar os investimentos do governo Lula voltado ao crescimento da demanda e da produção, além de medidas de reduzir o endividamento e a inadimplência no país.

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