Candidato a presidente, filho de Muammar Kadafi é assassinado na Líbia

Saif Al Islam, filho do líder líbio Muammar Kadafi (Mahmud Turkia/AFP)

Saif al-Islam Kadafi, filho de Muammar Kadafi, foi morto a tiros na terça-feira, em sua residência na cidade de Zintan, a noroeste da Líbia.

De acordo com o site de notícias Al Arabiya, que entrevistou uma pessoa próxima da família Kadafi, os assassinos “fugiram rapidamente do local depois de atirarem nele em seu jardim”.

Nesta quarta-feira, o Ministério Público da Líbia anunciou investigação sobre o assassinato de Saif al-Islam e disse que enviou especialistas forenses e investigadores para tentar identificar os suspeitos.

O advogado de Saif al-Islam, Marcel Ceccaldi, disse que ele foi morto por um “comando de quatro homens” que não foram identificados. Eles invadiram a casa de Saif al-Islam e efetuaram os disparos. Ele também disse que havia problemas com a segurança de Saif al-Islam.

“Tanto que o chefe da tribo (de Kadafi) havia ligado para Saif e lhe disse: ‘Eu lhe enviarei pessoas para garantir sua segurança’. Mas Saif recusou”.

“Eles o mataram de forma traiçoeira. Ele queria uma Líbia unida e soberana, segura para todo o seu povo,” postou nas redes sociais Moussa Ibrahim, que foi porta-voz de Muammar Kadafi.

“Falei com ele há dois dias. Ele não falou de nada além de uma Líbia pacífica e da segurança de seu povo,” disse o advogado.

Em 2011, a Líbia entrou em colapso depois de um levante de grupos armados a mando dos EUA e apoiados pela Otan. Os amotinados assumiram o controle à força do país. Eles então brutalmente torturaram Kadafi e o executaram. Um dos mercenários pró-americanos é mostrado em vídeo sodomizando Kadafi com uma faca, no vídeo ele é espancado, esfaqueado e despido, coberto de sangue.

Desde então a Líbia segue dividida com dois governos que disputam o poder, um reconhecido pela ONU com sede em Trípoli e outro dirigido por Khalifa Haftar, com dupla cidadania americana e líbia, Haftar foi um dos líderes dos insurgentes que derrubaram Kadafi e que, em 2014, se recusou a entregar o poder, ele já foi descrito como “o senhor da guerra mais poderoso da Líbia” e também está disputando a Presidência.

Saif al-Islam Kadafi, era visto como o herdeiro de Muammar Kadafi que governou a Líbia durante 40 anos. Mesmo sem ter uma posição no governo líbio, participou da política no país incluindo em negociações com outros países.

Ele desempenhou um papel central nas negociações com países ocidentais, principalmente os EUA e o Reino Unido, que resultou no abandono do programa de armamento nuclear da Líbia e conseguiu levantar sanções internacionais contra a Líbia.

Ele também negociou as compensações para as famílias de vítimas do atentado do Lockerbie, o ataque à boate de Berlim e o voo 772 da UTA, que foi detonado no deserto do Saara. Mediou a libertação de seis médicos que foram presos, acusados de infectar crianças líbias com HIV nos anos 90.

Saif foi preso em novembro de 2011 por um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional em Haia acusado de crimes contra a humanidade. Ele foi capturado no Sul da Líbia enquanto tentava fugir do país. Ficou preso durante 6 anos na Líbia, o Tribunal Penal Internacional tentou conseguir sua extradição mas o governo Líbio se recusou.

Em 2015, foi condenado à morte por um tribunal de Trípoli mas em 2017 recebeu anistia e foi libertado.

E em 2021, Saif al-Islam retornou à vida pública do país e anunciou planos de concorrer à Presidência da Líbia. As eleições foram, desde então, adiadas indefinidamente.

Emadeddin Badi, especialista em política da Líbia, disse que o assassinato de Saif al-Islam muda muito a dinâmica das eleições Presidenciais na Líbia.

“É provável que seja visto como um mártir para um segmento significativo da população, ao mesmo tempo em que muda a dinâmica eleitoral, removendo um grande obstáculo às eleições presidenciais”, avalia.

“Sua candidatura e potencial sucesso foram um ponto central de disputa”, postou Badi na rede social X.

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