Com a reposição hormonal, assevera o secretário da Guerra, EUA terá “força de combate decisivamente dominante”
Exames obrigatórios anuais de nível de testosterona para militares da ativa e da reserva com 30 anos ou mais foram anunciados pelo autodenominado “Secretário da Guerra” e ex-âncora da Fox News, Pete Hegseth, no mais recente avanço da sua campanha no Pentágono para restaurar a “letalidade” e o “espírito guerreiro” da tropa, cujo ponto alto até aqui havia sido a conferência em setembro passado com 800 altos oficiais na Virgínia em que proclamou a “inadmissibilidade de generais e almirantes gordos”.
Em comunicado, o Pentágono asseverou que o novo protocolo “permitirá ao Departamento estabelecer uma linha de base abrangente e oferecer terapia de testosterona direcionada, garantindo a manutenção de uma força de combate saudável, capaz e decisivamente dominante”.
Também as mulheres nas fileiras armadas terão que se adequar ao teor de testosterona ao gosto de Hegseth. O tatuado chefe do Pentágono promete reposição hormonal aos necessitados de apoio. Para os militares com menos de 30 anos, a adesão será voluntária.
“HIGH-T DEPARTMENT”
A exigência foi anunciada na quarta-feira passada, em vídeo com Hegseth intitulado High-T Department (Departamento de Alta Testosterona, em tradução livre) e está gerando controvérsias.
Medida que foi classificada pela deputada democrata e veterana da Força Aérea, Chrissy Houlahan, como a mais recente “obsessão de guerra cultural” de Hegseth.
Ao que parece, não é o único no governo Trump preocupado com o nível da testosterona da tropa, com o Secretário de Saúde, o exótico Robert F. Kennedy Jr, defendendo a retirada de obstáculos para que profissionais de saúde a prescrevam a homens, alegando se tratar de possível solução para uma “crise de fertilidade” no país.
No mês passado, a FDA (agência reguladora de medicamentos e alimentos dos EUA, equivalente à Anvisa) solicitou a retirada de advertências sobre segurança e eficácia dos rótulos de produtos usados em terapias de reposição de testosterona e propôs flexibilizar as restrições à prescrição desses medicamentos.
A questão da testosterona já havia surgido anteriormente no Pentágono por outro lado, o uso para aumentar artificialmente a massa muscular.
Em 2022, a morte de um recruta da unidade de elite SEALs, da Marinha, durante um treinamento, levou à ‘descoberta’ de testosterona e outras substâncias em sua posse. O caso evidenciou o uso disseminado de produtos voltados ao aumento de desempenho físico e sem prescrição, o que é proibido. No ano seguinte, a Marinha dos EUA iniciou um programa sobre esse abuso.
Hegseth esclareceu que seu novo programa “não se destina a melhorar artificialmente o desempenho”.
RISCO DE FICAR INFÉRTIL
Em entrevista à BBC, o médico urologista Mohit Khera, que no ano passado presidiu um painel de especialistas da FDA sobre exames para detectar deficiência de testosterona e o uso do hormônio nas Forças Armadas, aconselhou todos os homens com mais de 30 anos a fazerem o teste.
Os benefícios da terapia de reposição hormonal, segundo Khera, incluem aumento da massa muscular, redução do acúmulo de gordura e diminuição do risco de depressão. No longo prazo, acrescentou, o tratamento também pode ajudar a preservar a densidade mineral óssea.
Ele advertiu no entanto que “quando homens jovens usam testosterona, podem ficar inférteis” e devem ser informados sobre esse risco. Há ainda, um possível aumento do risco cardiovascular.
Reposição de testosterona à parte, no mais, tudo continua como antes no Pentágono: massacre de 168 crianças em uma escola primária no Irã, sequestro de um presidente manu militari, assistência com armas e coordenadas de alvos à guerra contra a Rússia na Ucrânia, provocações no Mar do Sul da China, guerra contra o Irã, execuções de pescadores no Caribe e no Pacífico, ameaças de anexação do Canadá, Groenlândia e Canal do Panamá, generais que ao passarem para a reserva vão direto para altos postos no complexo industrial-militar, e o aumento de 50% do orçamento do Pentágono para o próximo ano, para US$ 1,5 trilhão.











