PF recuperou as imagens onde Deives Marcon Antunes, presidente do órgão, tenta sumir com malas de documentos. Ele aplicou R$ 1 bi no Master às vésperas da liquidação do banco
O ex-presidente do Rioprevidência, Deives Marcon Antunes, indicado pelo governador Cláudio Castro para o cargo, tentou obstruir a ação da Justiça apagando filmagens de câmeras de segurança do prédio onde mora.
Segundo o relatório da Polícia Federal Deivis alugou um apartamento no andar abaixo do dele. Disse que era área de recreação para o filho. Mas a PF afirma que o imóvel era ocupado pelos irmãos gêmeos Rodrigo e Rafael Schmitz, que tinham inegável intimidade com Antunes.
A descoberta de que o ex-presidente do Rioprevidência tinha um outro apartamento alugado no mesmo prédio em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro (RJ), onde a Polícia Federal (PF) fez uma operação de busca e apreensão no dia 23 de janeiro, foi o estopim para a decretação da prisão temporária de Deivis Marcon Antunes.
Deives e os seus cúmplices estão presos desde o dia 23. Imagens mostram Rodrigo Schmitz entrando no apartamento de Deivis usando a senha da fechadura eletrônica. O circuito interno revela ainda uma grande movimentação de malas e caixas entre os apartamentos 101 e 102, e também para fora do prédio, durante o mês de janeiro.
As imagens, que foram apagadas por Deives, e recuperadas pela polícia, mostram que caixas e o material eram levadas para carros de luxo na garagem. Para a polícia, é material que auxiliaria na investigação. Elas mostram tentativas do ex-presidente do Rioprevidência de dificultar trabalho policial.A Polícia Federal afirma que as provas demonstram como a organização criminosa atuava no Rioprevidência, o fundo de pensão dos servidores do estado do Rio, para desviar verba de aposentadorias e pensões para o Banco Master.
O fundo de pensão dos servidores do Rio foi o que mais aplicou dinheiro no banco de Daniel Vorcaro: quase R$ 1 bilhão. Este valor não poderia ser aplicado num banco prestes a sofrer intervenção e ser liquidado pelo BC, sem a autorização do governador bolsonarista do Rio, Cláudio Castro.
O que mais chamou atenção da PF é que as imagens da movimentação entre os andares desapareceram, apesar de o circuito interno ser 24 horas e monitorado por uma empresa especializada. Os investigadores dizem que esse é mais um indício da tentativa de obstrução da Justiça e sumiço de provas. A PF conseguiu recuperar as imagens apagadas.
Quando a PF conseguiu recuperar as imagens, descobriu que o circuito interno tinha três senhas de administrador: uma da empresa, outra de Deivis Antunes e uma terceira do porteiro-chefe. O responsável pela empresa das câmeras disse que é bastante atípico um morador ter acesso ao circuito. Informou também que as imagens podem ser apagadas de forma remota – basta ter a senha. Segundo o Jornal Nacional, da TV Globo, desta sexta-feira (6), a defesa de Deivis Antunes negou que o cliente tenha destruído imagens, documentos ou provas, e disse que ele vem colaborando com as autoridades desde o começo das investigações.











