Solidário a Cuba, México envia 800 toneladas de ajuda humanitária

México embarca mantimentos a Cuba em navio de sua Marinha (Governo do México)

Além de rechaçar o recrudescimento do bloqueio a Cuba, por ordem executiva do ditador Trump, o México, despachou para a nação caribenha mais de 800 toneladas de ajuda humanitária.

“México estará sempre solidário, buscando a melhor forma de apoiar o povo cubano”, declarou a presidente do país, Claudia Sheinbaum, à imprensa.

Ela também insistiu que é do interesse de seu governo e de seu povo que as consequências das medidas do império não agravem a situação na nação caribenha. “É isso que queremos transmitir ao governo dos Estados Unidos: que é muito importante que não haja uma crise humanitária”.  

Partidos mexicanos, incluindo o Morena (partido governista), reforçaram que o envio de ajuda é um princípio inegociável de soberania e não interferência. 

O México tornou-se um dos principais fornecedores de petróleo e ajuda humanitária para a ilha em 2025-2026, com o governo mexicano, através da empresa estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), enviando navios com combustível e alimentos básicos.

As ameaças do ditador Trump ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm sobre Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi ainda reforçado com várias medidas coercitivas e unilaterais da Casa Branca, incluindo o sequestro de petroleiros que rumavam a Cuba.

Isso depois de forçar a suspensão do envio de petróleo venezuelano a Cuba após o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

RÚSSIA: “BLOQUEIO É INACEITÁVEL”

O ministério das Relações Exteriores da Rússia reafirmou sua posição de que a pressão econômica e militar sobre Cuba, incluindo o bloqueio de combustível, “é inaceitável”, pois poderia levar a uma grave deterioração da situação econômica e humanitária do país.

A Rússia afirmou sua “firme disposição de continuar fornecendo a Cuba o apoio político e material necessário”. Declaração que foi transmitida ao ministro das Relações Exteriores e membro do Bureau Político de Cuba,

Bruno Rodríguez Parrilla, pelo chanceler russo, Sergey Lavrov, em conversa telefônica.

O porta-voz da Presidência da Federação Russa, Dmitry Peskov, insistiu na segunda-feira (9) que “as táticas de asfixia criminosa empregadas pelos Estados Unidos estão causando sérias dificuldades para Cuba”.

Ele acrescentou que “estamos conversando com nossos amigos cubanos sobre possíveis maneiras de resolver esses problemas ou, pelo menos, de fornecer toda a assistência que estiver ao nosso alcance”.

“A CHINA APOIA CUBA EM DEFESA DE SUA SOBERANIA”

“A China apoia firmemente Cuba na defesa de sua soberania e segurança nacionais”, disse Guo Jiakun, porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China. Jiakun reiterou a forte oposição de Pequim a medidas “que privam o povo cubano de seu direito à subsistência e ao desenvolvimento, bem como a práticas desumanas”.

Em diversas ocasiões, a China instou Washington a parar de privar o povo cubano do seu direito ao desenvolvimento, enfatizando, ao mesmo tempo, a sua confiança de que, com a liderança do Partido e do Governo de Cuba, o povo superará quaisquer dificuldades.

PAPA CONDENA SOFRIMENTO IMPOSTO POR WASHINGTON AO POVO CUBANO

O Papa Leão XIV, por sua vez, expressou preocupação com a crescente agressão do governo dos Estados Unidos contra Cuba e pediu que se evitasse qualquer ação que pudesse aumentar o sofrimento do povo da Ilha.

“Recebi com grande preocupação as notícias do aumento das tensões entre Cuba e os Estados Unidos da América, dois países vizinhos. Uno-me à mensagem dos bispos cubanos, convidando todos os responsáveis ​​a promoverem um diálogo sincero e eficaz, a evitarem a violência e qualquer ação que possa causar o sofrimento do amado povo cubano. Que Nossa Senhora da Caridade do Cobre auxilie e proteja todos os filhos dessa terra amada!”, afirmou o Papa desde o Vaticano.

Por sua vez, Ahmed Aboul Gheit, secretário-geral da Liga Árabe, reuniu-se com o embaixador cubano no Cairo, Alexander Pellicer, e reiterou seu apoio e solidariedade a Cuba diante da agressão dos Estados Unidos. 

APOIOS MULTILATERAIS

O Movimento dos Países Não Alinhados (MNOAL) afirmou que as medidas tomadas pelo governo Trump têm efeitos extraterritoriais e impactam negativamente não apenas Cuba e seu povo, mas também outros países e as relações econômicas internacionais.

Nesse sentido, reiterou seu apelo ao governo dos Estados Unidos para que ponha fim ao bloqueio – principal obstáculo ao pleno desenvolvimento de Cuba – e elimine as medidas unilaterais adicionais impostas desde 2017, incluindo a designação arbitrária de Cuba como Estado patrocinador do terrorismo, agressões que causam enormes perdas materiais e danos econômicos à população da nação caribenha.

A ONU “continua monitorando a situação no país e está trabalhando com o governo para fornecer mais apoio, incluindo alimentos, água, saneamento e assistência médica. Estamos preocupados com a crescente escassez de combustível e seu impacto sobre a população”, disse o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, em uma entrevista coletiva, na quarta-feira (04).

O G77 reafirmou sua solidariedade a Cuba, declarando em um comunicado que as medidas tomadas pelo governo dos EUA têm claros efeitos extraterritoriais e são contrárias aos propósitos e princípios da Carta da ONU e do direito internacional. Elas minam o multilateralismo, a cooperação econômica internacional e o sistema multilateral de comércio baseado em regras, não discriminatório, aberto, justo e equitativo. Ao mesmo tempo, insistiram que essas medidas agravam as dificuldades de Cuba em conduzir operações financeiras e comerciais, ameaçando o sustento e o bem-estar de sua população.

O Grupo de Amigos em Defesa da Carta das Nações Unidas rejeitou as ações dos Estados Unidos, baseadas em uma narrativa construída sobre falsidades que visa retratar Cuba como uma ameaça que não representa e

que buscam estrangular deliberadamente a economia cubana e infligir ainda mais sofrimento ao seu povo. Recordaram que, por mais de seis décadas, o povo cubano tem sido submetido ao bloqueio mais longo e cruel já imposto a qualquer país.

“Essas medidas também demonstram que a tentativa de apresentar o bloqueio como um mero ‘embargo comercial bilateral’ é uma distorção da realidade que ignora seu alcance claramente extraterritorial e seu profundo impacto em terceiros países e nas relações econômicas internacionais”, acrescentou.

A Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA-TCP) rejeitou categoricamente a Ordem Executiva do presidente dos Estados Unidos:

“Esta ação, que faz parte da política histórica de bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba, busca submeter todo um povo a condições de vida extremas. Longe de quebrar o povo cubano, essas ações, que foram condenadas repetidamente e quase unanimemente pela comunidade internacional, demonstraram a resiliência, a dignidade e a determinação de uma nação que defende sua independência e seu direito de construir seu próprio projeto político, econômico e social sem interferência externa, ameaças ou agressões”.

A este respeito, os países membros da ALBA (Venezuela, Cuba, Nicarágua, Bolívia, Antígua e Barbuda, Dominica, e São Vicente e Granadinas) expressaram “sua solidariedade e apoio ao Governo e ao povo de Cuba” e reiteraram seu firme compromisso com o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas, bem como com a defesa do multilateralismo, do comércio justo e do respeito irrestrito à soberania dos povos.

TRUMP PROPALA QUE CUBA “É UMA AMEAÇA EXTRAORDINÁRIA”

Em 29 de janeiro, o desenfreado governo norte-americano emitiu uma ordem executiva declarando “estado de emergência nacional” em resposta a uma inexplicada “ameaça incomum e extraordinária” que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a “numerosos países hostis”, abrigar “grupos terroristas transnacionais” como seriam o Hamas e o Hezbollah, e permitir o destacamento na ilha de “sofisticadas capacidades militares e de inteligência” da Rússia e da China.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que “esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida dessa camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais”.

“Enfrentaremos este novo ataque com firmeza, serenidade e a certeza de que a razão está absolutamente do nosso lado”, declarou o governo em um comunicado à imprensa.

Da mesma forma, as autoridades da nação caribenha enfatizaram que “Cuba não representa nenhuma ameaça aos EUA, aos seus interesses nacionais ou ao bem-estar de seus cidadãos, que, aliás, sempre foram tratados com respeito e hospitalidade quando seu governo permitiu que visitassem a ilha”.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *