Selic nas alturas “inviabiliza investimentos, freia contratações e desvia recursos para aplicações financeiras em vez da produção”, denuncia
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, criticou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, que caiu de 14,25% para 14% ao ano. A CNI avalia que o BC tem condições de realizar cortes mais acentuados nos juros, que em patamares altos agravam as dificuldades financeiras das empresas e famílias.
“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto”, afirma o presidente da CNI.
“A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”.
Na nota de posicionamento, divulgada na noite de ontem (5), após o BC divulgar sua decisão, a CNI destaca que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A entidade estima que o nível do juro real (após o desconto da inflação) está em 10% ao ano.
“Para os empresários, os juros atuais funcionam como um ‘imposto invisível’ que inviabiliza investimentos, freia contratações e desvia recursos para aplicações financeiras em vez da produção”, critica a CNI.
Pressionada pelos juros extremamente altos, a produção pela indústria de transformação assinalou um recuo de 1,8% em junho na comparação com maio, segundo dados do IBGE. Essa queda contribuiu para o declínio do desempenho do total da indústria nacional, que, após o recuo de -0,9%, retraiu 1,8% em junho. Com a segunda queda seguida, o setor acumula uma variação negativa de 2,7% no período.
A CNI também argumenta que as expectativas de inflação, apuradas pelo Boletim Focus do BC, estão melhorando, ante a desaceleração do índice de inflação. “A inflação corrente vem perdendo força, o que deve continuar a ocorrer em julho. O IPCA-15, por exemplo, acumula alta de 4,52% em 12 meses até julho, resultado abaixo do observado no mês anterior (4,8%)”, lembra a entidade na nota.
A CNI também afirma que “o elevado nível de juros no crédito livre também encarece o refinanciamento das dívidas familiares. O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento”.









