O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deixou entrevista após evento no sábado (21) sem responder a questionamento sobre a investigação de seu vice, Felício Ramuth (PSD), investigado por lavagem de dinheiro.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Tarcísio encerrou abruptamente a entrevista, quando era a vez da reportagem do jornal perguntar sobre o tema, que já havia sido acordado com a assessoria do governador. “A reportagem ainda o questionou sobre o tema, mas ele não respondeu”, diz o jornal.
O vice-governador e sua esposa, Vanessa Ramuth, são alvos da Justiça de Andorra, país que foi considerado paraíso fiscal, por um esquema que pode ter lavado R$ 8,2 milhões (US$ 1,6 milhão) para empresários, políticos e ex-jogadores de futebol.
Uma empresa dos dois, a AndBank, teve uma conta com R$ 7,2 milhões bloqueada de forma cautelar pela Justiça de Andorra. Segundo documentos enviados pelo país, a conta “era utilizada para canalizar fundos procedentes de atividades ilícitas”.
A investigação foi aberta em maio de 2023 por meio de um relatório de inteligência financeira que apontava a possível prática de lavagem de dinheiro. Em junho, a conta bancária foi bloqueada. Em outubro de 2025, o casal esteve no país para prestar depoimento.
De acordo com o Ministério Público de Andorra, na investigação sobre “uma trama de branqueamento de capitais e valores por um montante superior a US$ 1,6 milhão de dólares, apareceram contas bancárias com movimentos relacionados com a referida trama”.
“Quanto aos movimentos da conta do AndBank entre 2009 e 2011, esta foi nutrida através de transferências internacionais ordenadas por sociedades instrumentais das quais não existe nenhuma informação disponível e que procedem de países como os Estados Unidos e Luxemburgo”, afirmam as autoridades de Andorra.
Entre os possíveis beneficiários estão “empresários brasileiros, candidatos políticos, pessoas sancionadas pelo Banco Central do Brasil, bem como ex-jogadores profissionais de futebol”.
“Tudo com uma falta de documentação demonstrativa da origem dos fundos que transitam pelas contas”, disse o MP do país.
Nessa segunda-feira (23), Tarcísio de Freitas voltou a se esquivar e disse que “quem tem que comentar e já vem comentando é ele. Ele já deu todos os esclarecimentos à polícia e à própria imprensa”.
Ouvindo os jornalistas perguntarem se “isso não poderia atrapalhar sua chapa”, ele optou por ignorar e esperar outra pergunta. Só mais tarde, novamente questionado, falou que não muda “nada”.
Tentando defender o aliado, Tarcísio de Freitas falou que o caso “é bem antigo”. “Para mim, é uma coisa que não tem nada a ver”.











