Deputado da oposição denuncia os prejuízos causados pela negociata à população do Distrito Federal
O governo de Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, chegou a admitir a existência de riscos para o Banco Regional de Brasília (BRB) na compra da maior fatia do banco Master, interrompida por decisão do Banco Central (BC), que chegou a liquidar a arapuca financeira de Daniel Vorcaro.
Segundo documento obtido pela Folha de S. Paulo, a gestão de Ibaneis, após a admissão dos riscos, defendeu a realização de uma auditoria para avaliar a consistência dos ativos do Master, cuja venda só poderia ocorrer após validação do negócio.
Entretanto, o interesse, demonstrado na insistência de Ibaneis no negócio, foi maior que a avaliação dos riscos.
O documento com a posição do GDF foi assinado pelo procurador-geral Márcio Wanderley de Azevedo, apenas seis dias depois de sua nomeação ao cargo pelo governador e uma semana antes da negociata ter sido barrada pelo BC, ainda em 2025.
Azevedo, até então, era consultor jurídico do gabinete de Ibaneis, tornando-se, na sequência, procurador-geral, ou seja, o elemento chave para a defesa jurídica do governo.
Precisamente em agosto de 2025, ele encaminha ofício, em resposta ao MPF (Ministério Público Federal), em que admite a existência de riscos e em que defende a aquisição do Master pelo BRB.
Resumo da ópera: o governo Ibaneis defendeu a compra do Master, mesmo diante dos riscos e da advertência. Mas, mesmo o alerta do procurador não se contrapõe ao negócio, chegando a apoiá-lo, e sinaliza que os problemas identificados deveriam ser resolvidos antes da conclusão da compra do Master
Até o momento, entre os principais pontos apurados pelas investigações, já se pode concluir:
• Ciência dos Riscos e Defesa da Operação: Documentos indicam que, mesmo ciente dos riscos, a procuradoria-geral do DF apoiou a aquisição. O governador Ibaneis Rocha defendeu publicamente a operação, argumentando que a “trava” à compra do Banco Master pelo Banco Central gerava riscos ao mercado financeiro como um todo.
• Apoio Institucional e Rapidez: Houve forte empenho do GDF para viabilizar o negócio. A Câmara Legislativa do DF aprovou a compra em apenas uma semana (Projeto de Lei 1882/2025), sancionado por Ibaneis.
• O Papel de Ibaneis: Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, confirmou ter tratado da venda do banco diretamente com o governador Ibaneis Rocha, inclusive com encontros na casa do próprio governador.
• Investigação e Prejuízos: A operação foi travada pelo Banco Central. O dono do Master foi preso em uma operação da Polícia Federal (“Compliance Zero”). Investigações apontam que o BRB teria desembolsado cerca de R$ 2,5 bilhões, segundo outras fontes) em ativos problemáticos do Banco Master, gerando prejuízo à estatal.
• Justificativa de Ibaneis: Ibaneis Rocha afirmou que a decisão foi técnica, tomada pelo banco (BRB), e alegou ter pouco conhecimento sobre questões bancárias e do mercado financeiro, negando interferência indevida, jogando a responsabilidade do ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, afastado do cargo por decisão judicial.
POPULAÇÃO DO DF É QUEM VAI PAGAR A CONTA
A transação é alvo de intensas críticas da oposição, com pedidos de investigação sobre o interesse do governo no negócio, que resultou em liquidação extrajudicial do Banco Master.
Segundo o deputado Carlos Magno, integrante do PT e da bancada oposicionista a Ibaneis na Câmara Legislativa do DF, “estão tentando empurrar para o povo a conta do maior escândalo financeiro da história do DF”.
“Ibaneis e Celina (Leão, a vice-governadora) não apenas colocaram o BRB no centro de uma operação bilionária e fraudulenta com o Banco Master. Agora querem que a população pague pelo desastre, colocando em jogo o patrimônio público do Distrito Federal”, denunciou Magno.
Sobre as garantias que o GDF está dando para repor o capital do BRB lesado na aquisição dos papéis podres do Master, Magno sentencia: “Estão colocando como garantia bens que pertencem ao povo, como o Centrad, o terminal rodoviário de Taguatinga, imóvel destinado a parque tecnológico da Saúde e até área de preservação ambiental”.
E continua:
“Querem usar bens públicos para buscar dinheiro com o FGC e com os grandes bancos, aprofundando a dependência do BRB em relação ao sistema privado e colocando em risco ainda maior um banco que deveria estar a serviço do desenvolvimento do DF”.
O parlamentar faz alguns questionamentos, que, segundo ele, continuam sem respostas:
O que foi feito com os R$ 12 bilhões? (recursos utilizados pelo BRB na aquisição dos papéis podres do Master).
Quem recebeu esse dinheiro?
Onde esse dinheiro está?
Quem são os responsáveis por essas operações fraudulentas?
“Nós vamos seguir cobrando investigação, responsabilização e transparência. É o maior escândalo de corrupção da história do DF. Esse caso precisa ser apurado até o fim. O patrimônio do DF não pode ser usado para encobrir prejuízo de operação fraudulenta”, concluiu.











