Investigado por traficar informações sigilosas do governo britânico para o bilionário pedófilo Jeffrey Epstein e receber dinheiro dele, o ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos e ex-ministro, Peter Mandelson, foi preso em sua casa em Londres por policiais na segunda-feira (23), tendo de depor durante 11 horas, sendo em seguida liberado sob fiança.
A prisão aconteceu em sua casa em Camden; um outro endereço, em Wiltshire, também foi vasculhado em busca de provas. O escândalo deixou o governo Starmer nas cordas, sob a suspeita de que sabia dos laços Mandelson-Epstein, mas mesmo assim o colocou na estratégica posição de embaixador britânico em Washington. O chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney, teve de renunciar, para tentar salvar o chefe. A aprovação de Starmer está em 18%.
Um dos mentores do “novo trabalhismo” e sabujice de Tony Blair, Mandelson foi também ministro de Gordon Brown. Nos anos recentes, se dedicara a sabotar a liderança de Jeremy Corbyn no Partido Trabalhista, sob a falseta de que seria “antissemita” por apoiar a libertação palestina, até que fosse expulso do partido e a ascensão de sir Keir Starmer, cuja grande façanha anterior havia sido encabeçar a perseguição judicial a Julian Assange.
Depois que o escândalo veio à tona, Mandelson renunciou ao cargo que detinha na Câmara dos Lordes, a câmara não eleita, e a seu posto no Partido Trabalhista.
Não apenas Mandelson tivera notórios vínculos com o pedófilo antes da condenação dele em 2008, como a manteve depois, conforme revelaram os Arquivos Epstein. Os emails mostraram que Mandelson compartilhou informações sigilosas com Epstein em 2009, quando era ministro no governo Brown.
Mandelson, que num dos e-mails vazados o trata como “melhor amigo”, é o segundo nome de peso atingido em cheio pelo escândalo da pedofilia nas altas rodas globais, sendo o primeiro o ex-príncipe Edward, irmão do rei Charles III, também preso na semana passada e cuja foto na viatura, estupefato, viralizou no mundo inteiro.
Em mais países da Europa, outros cúmplices de Epstein se vêem desmascarados, depois de anos de conluio e cumplicidade. O ex-Ministro da Cultura, Jack Lang, renunciou ao cargo de liderança de uma instituição cultural em Paris após o Ministério da Europa e das Relações Exteriores tentar interrogá-lo sobre os contatos com Epstein.
Na Noruega, o ex-primeiro-ministro Thorbjorn Jagland foi acusado de “corrupção grave” após revelações de que ele ficou nas propriedades de Epstein em Nova York e Flórida e visitou sua ilha particular, além de ter feito o falecido agressor sexual cobrir suas despesas e as de sua família. Ele pode pegar até uma década de prisão se for condenado.
A embaixadora da Noruega na Jordânia, Mona Juul, também renunciou após relatos de que Epstein deixou 10 milhões de dólares para seus filhos em seu testamento.
Enquanto isso, a princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, pediu desculpas após documentos mostrarem que ela havia passado férias em uma das propriedades de Epstein e de intensa correspondência entre 2009 e 2013.
Já nos Estados Unidos a famosa foto de “best friends” – Trump & Mileine e Epstein & Giselle – segue desmoralizando as juras do presidente de que não compactuava com a pedofilia, enquanto a oposição, as vítimas de Epstein e congressistas, apesar da linha divisória partidária, vêm exigindo que se vá até o fundo para arrasar o mal.
Uns poucos recuaram da empáfia como reagiam às denúncias. Asssim, o ex-secretário do Tesouro dos EUA, Lawrence Summers, tirou licença das funções acadêmicas na Universidade de Harvard após a divulgação dos seus laços com Epstein. A National Football League disse que revisaria a correspondência entre Epstein e o co-proprietário do New York Giants, Steve Tisch. Outros figurões, apesar de expostos nos arquivos Epstein, não enfrentam acusações formais.
Como o ex-guru de Trump, Steve Bannon, o secretário de Comércio Howard Lutnick e o bilionário de tecnologia Elon Musk, que disse nunca ter visitado a ilha de Epstein. Também o ex-dono da Victoria Secret, Les Wexner, e Bill Gates, da Microsoft. O ex-presidente Bill Clinton não nega nem confirma nada, mas todos sabem que era um assíduo carona dos voos do Lolita Express, o jato particular de Epstein. Também Trump nega tudo, embora seu nome apareça milhares de vezes nos arquivos do pedófilo já divulgados.











