MP-RJ reabre investigação contra Carlos Bolsonaro pelo crime de “rachadinha”

O filho "02" de Bolsonaro (Foto: Evaristo Sá - AFP)

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) reabriu a investigação sobre o crime de “rachadinha” do ex-vereador Carlos Bolsonaro e outras 25 pessoas. O órgão avalia que pontos fundamentais não foram esclarecidos e que o arquivamento foi “prematuro”.

A investigação anterior foi arquivada e sete funcionários do gabinete de Carlos Bolsonaro foram denunciados por peculato. Os assessores de Carlos Bolsonaro tinham o costume de retirar uma grande parte de seus salários (até 87%) em dinheiro vivo logo após o pagamento.

O ex-chefe de gabinete Jorge Luiz Fernandes foi apontado como líder de um esquema que desviou R$ 1,9 milhão entre 2005 e 2021. O então vereador e chefe de todos os funcionários, Carlos Bolsonaro, ficou de fora da denúncia.

O Ministério Público do Rio de Janeiro entende que “o prosseguimento das investigações revela-se medida necessária à adequada elucidação dos fatos”.

O inquérito reaberto deverá apurar, entre outros pontos, a compra de um apartamento em Copacabana, Zona Sul do Rio, por um valor considerado muito abaixo do mercado – R$ 70 mil.

A aquisição e a venda de imóveis por valores abaixo ou acima do mercado são práticas muitas vezes ligadas à lavagem de dinheiro.

Outro ponto que deve ser esclarecido é a fonte de pagamento do plano de saúde de Carlos Bolsonaro. Em nove anos de contrato, somente um boleto foi pago diretamente pela conta bancária do ex-vereador.

Além disso, o MP-RJ vai apurar o acesso acima do normal ao cofre de Carlos Bolsonaro no banco. O ex-vereador “realizou pelo menos um ou mais acessos por mês ao tal cofre”, o que “despertou atenção, pois cofres bancários, usualmente, se destinam à guarda de joias, documentos ou grandes somas em dinheiro”.

Entre os demais investigados está a ex-esposa de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, que recebeu, entre 2001 e 2008, R$ 340 mil em depósitos bancários feitos em dinheiro vivo.

O uso de dinheiro vivo também é uma prática comum entre os criminosos, uma vez que não deixa rastros de sua origem.

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