PF deflagra 2ª fase da Operação Lamaçal, com prisões e afastamentos, em inquérito sobre uso indevido de recursos federais após enchentes de 2024
A Polícia Federal desencadeou, na manhã desta quinta-feira (26), a segunda fase da Operação Lamaçal, que investiga possíveis crimes relacionados à aplicação de recursos federais destinados ao enfrentamento das chuvas extremas que devastaram o Rio Grande do Sul, em maio de 2024.
A ação ocorre após a primeira fase, em novembro de 2025, e busca aprofundar a apuração de suspeitas de desvios, fraudes e corrupção no uso de verbas públicas federais.
Mandados foram cumpridos em ao menos 8 municípios gaúchos — incluindo Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre — e envolvem 20 ordens de busca e apreensão e 2 prisões temporárias autorizadas pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).
Entre os detidos está o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo (União Brasil), que governou o município entre 2017 e 2024, pelo PP (Progressistas), que também já ocupou cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano.
SUSPEITAS E ALVOS DA INVESTIGAÇÃO
As autoridades federais suspeitam que recursos do Fnas (Fundo Nacional de Assistência Social), enviados para ações emergenciais e programas de assistência social após as enchentes, tenham sido desviados ou mal aplicados.
Parte das irregularidades sob apuração aponta para fraudes em licitações, contratos acima dos valores de mercado e direcionamento de processos para empresas de um mesmo grupo econômico.
O delegado responsável pela operação destacou que “as diligências ampliam a investigação iniciada na fase anterior, em 2025, e buscam consolidar provas sobre indícios de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, associação criminosa e outros crimes contra a Administração Pública”.
Além das prisões temporárias de 2 investigados, dois servidores públicos foram afastados cautelarmente das respectivas funções, e agentes apreenderam 3 veículos, aparelhos eletrônicos e documentos essenciais às investigações.
TRAGÉDIA QUE MARCOU O ESTADO
As enchentes de maio de 2024 foram as piores que o Estado já enfrentou. Chuvas intensas e persistentes elevaram o nível dos rios, inundaram cidades inteiras e deixaram rastro de destruição em praticamente todas as regiões gaúchas.
A catástrofe climática e ambiental afetou milhares de famílias e mobilizou ações de socorro, recuperação de infraestrutura e apoio financeiro federal.
O uso correto dos recursos federais nesses momentos é essencial não só para a reconstrução de áreas afetadas, mas também para garantir transparência e confiança pública na gestão dos fundos destinados às emergências climáticas, ressaltam especialistas em controle público.
REPERCUSSÃO E PRÓXIMOS PASSOS
A defesa do ex-prefeito bolsonarista Marcelo Caumo afirma desconhecer os fundamentos da prisão temporária e considera a medida “desnecessária”, segundo o advogado do ex-gestor consultado pela imprensa.
Com o aprofundamento das investigações, a PF pretende consolidar o conjunto de provas para eventual oferecimento de denúncia ao Poder Judiciário e responsabilização dos envolvidos pelos crimes sob apuração.
A investigação também reforça o acompanhamento de órgãos de controle como a CGU (Controladoria-Geral da União) e o MPF (Ministério Público Federal).
À medida que a Operação Lamaçal avança, o caso promete ser marco no enfrentamento de desvios em contextos de emergência pública e teste à capacidade de as instituições garantirem o uso correto de recursos destinados às vítimas de desastres naturais.











