Bacellar e TH Joias, aliados de Castro, são indiciados pela PF por ligação com o crime organizado

Castro com TH Joias e Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj (Fotos: Governo do Rio - Redes sociais)

Bacellar vazou para TH Joias que o ex-deputado seria alvo de uma operação que investigava sua atuação junto ao Comando Vermelho

A Polícia Federal indiciou o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), e o ex-deputado TH Joias (MDB), por organização criminosa e obstrução à Justiça, em um caso que envolve favorecimento ao Comando Vermelho. Ambos são aliados do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).

Bacellar vazou para TH Joias que o ex-deputado seria alvo de uma operação que investigava sua atuação junto ao Comando Vermelho.

Eles foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, obstrução de investigação e favorecimento pessoal. Também foram indiciadas outras três pessoas, incluindo um ex-assessor de Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias.

Em setembro de 2025, Rodrigo Bacellar avisou TH Joias sobre uma operação que seria realizada no dia seguinte, sobre sua atuação como intermediário na venda de armas para o Comando Vermelho.

Assim, o deputado conseguiu tirar suas coisas de casa por meio de um caminhão-baú.

Entre as provas estão os dados obtidos por meio das quebras dos sigilos telemático e bancário. Além de mensagens trocadas por meio de seus celulares pessoais, os indiciados usavam telefones registrados em nome de outras pessoas para ocultar as comunicações que mantinham.

Outras provas foram obtidas no gabinete de Rodrigo Bacellar, como um documento que aponta pedidos políticos e manobras financeiras.

O desembargador Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que foi preso na investigação, não foi indiciado. O caso dele deverá ser analisado de forma específica pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

O relatório final da PF sobre o inquérito foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde ele corre sob a relatoria de Alexandre de Moraes. Agora, cabe à Corte decidir os próximos passos sobre o caso.

De acordo com a Polícia Federal, a investigação revelou “um esquema de corrupção envolvendo a liderança da facção [Comando Vermelho] no Complexo do Alemão e agentes políticos e públicos”.

“A organização infiltrava-se na administração pública para garantir impunidade e acesso a informações sigilosas, além de importar armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais”, continuou a corporação.

TH Joias era suplente de Rafael Picciani (MDB) e assumiu o mandato na Alerj porque Picciani era secretário de Esportes e Lazer de Cláudio Castro.

Quando o caso veio a público, Castro se apressou para exonerar Picciani e mandá-lo de volta para a Alerj, tirando o cargo de TH Joias. O governador tomou a medida rapidamente para tentar afastar sua imagem do escândalo que envolve sua base.

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