Agressão de Trump ao Irã é condenada em marchas por NY e Los Angeles e outras dezenas de cidades dos EUA

Manifestação na praça Times Square, NY (Eric Lee/MEE)

Milhares de pessoas foram às ruas dos Estados Unidos para expressar o sentimento da população norte-americana contra o desgoverno Trump que, juntamente com Israel, lançou uma guerra ilegal e não provocada contra o Irã: “Rejeitamos mais uma guerra sem fim para a mudança de regime no Irã! Continuaremos essa manifestação contra a guerra nesta segunda-feira, como parte de um dia de ação coordenada”, diz a convocação divulgada pela ANSWER (acrônimo de Act Now do Stoep the War and End Racism – Aja Agora para Parar a Guerra e Acabar com o Racismo), coalizão que reúne centros de organização em todo o país.

Os patrocinadores deste dia de protesto incluem, além da ANSWER Coalition, The People’s Forum, National Iranian-American Council, Democratic Socialists of America, Palestinian Youth Movement, American Muslims for Palestine, Black Alliance for Peace, CODEPINK, Center on Conscience on War e About Face.

“Este conflito tem o potencial de se expandir rapidamente para uma guerra regional devastadora, que trará morte e destruição inimagináveis. Outros países da região já foram arrastados para a guerra. Trump está mentindo quando diz que o Irã representa qualquer tipo de ameaça aos Estados Unidos. E ele deixou claro que está disposto a sacrificar a vida de militares americanos nesta guerra de mudança de regime, juntamente com um número ilimitado de iranianos e outros na região”, aponta a convocação.

“Mas um movimento de massa contra a guerra pode pôr fim a essa destruição! Saia às ruas na segunda-feira, 2 de março, para exigir: parem a guerra contra o Irã agora!”, convocam.

“O POVO NORTE-AMERICANO NÃO QUER ISSO”

“Os ataques militares de hoje contra o Irã, perpetrados pelos Estados Unidos e Israel, representam uma escalada catastrófica em uma guerra de agressão ilegal. Bombardeando cidades. Matando civis. Abrindo um novo teatro de guerra. O povo norte-americano não quer isso”, afirmou o prefeito da cidade de Nova Iorque, Zohran Mamdani, nas redes sociais.

Mamdani defendeu os nova-iorquinos de origem iraniana: “Vocês fazem parte do tecido social desta cidade: são nossos vizinhos, pequenos empresários, estudantes, artistas, trabalhadores e líderes comunitários. Vocês estarão seguros aqui”.

No centro da cidade mais populosa dos EUA, em Times Square, milhares de pessoas se reuniram para protestar contra a ofensiva militar de Washington contra Teerã no sábado (28), segundo a mídia da região.

Já no centro de Los Angeles, a atriz e ativista Jane Fonda juntou-se a centenas de manifestantes para protestar contra os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, pedindo o fim da guerra. Em seu discurso no protesto, ela traçou paralelos com a Guerra do Vietnã e incentivou os americanos a irem às ruas para impedir uma escalada ainda maior do conflito.

Veja o que disse a atriz Jane Fonda:

Esse ataque é um ato desesperado e imoral na espectativa de que ele [Trump] possa ganhar alguns pontos declarando uma vitória. O que ele vai conseguir é ser declarado um presidente da guerra. Acha que, com esse truque político, poderia gerar apoios. Mas eu acredito, de verdade, é que bastante pessoas aprenderam com a Guerra ao Vietnã, Guerrra ao Iraque, Guerra ao Afeganistão e outras desnecessárias e ilegais.

E nós podemos dizer alto e claro que o povo dos Estados Unidos está aqui hoje para afirmar aos do governo Trump que vocês podem desencadear uma guerra em nosso nome, mas não com nosso consentimento. Trump é um homem triste, desequilibrado. Ele está em guerra em várias frentes, está em guerra contra a democracia, contra nossos direitos constitucionais, especialmente a nossa Primeira Emenda, que nos dá o direito à livre expressão e a liberdade de reunião.

Ele está em guerra contra aqueles entre nós que acreditam que o direito de dissentir é a essência da democracia. Trump está em guerra com as famílias de imigrantes, está definitivamente em guerra contra o meio ambiente.

Estamos aqui hoje para agradecer a vocês por terem vindo. Estaremos nas ruas amanhã, nos dias seguintes e nas semanas que virão para exigir que esta nova guerra no Oriente Médio pare. Estaremos aqui para dizer que a mudança de regime comece em casa

A coalizão Answer listou ainda outros “protestos de emergência” que aconteceram no sábado, incluindo em Atlanta, Baltimore, Boston, Chicago, Cincinnati, Denver, Las Vegas, Miami e Minneapolis.

Assim retratou a marcha em Nova Iorque a agência chinesa CGTN

Outras manifestações são realizadas neste domingo em cidades menores, incluindo: Albany, Nova York; Ellensburg, Virgínia; Chattanooga, Tennessee; Decorah, Iowa; Gainesville, Flórida e Springfield, Missouri.

PARLAMENTARES REPUDIAM AÇÃO ILEGAL DE TRUMP

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) uniu-se a dezenas de parlamentares democratas para exigir que o Congresso tome medidas imediatas para pôr fim ao uso inconstitucional da força militar por Trump contra o Irã. O grupo veterano de direitos civis observou que tem sido “firme em insistir, desde o Vietnã, passando pela guerra no Afeganistão, pelas duas guerras no Iraque, pela ação militar contra a Líbia e pelo uso contínuo da força no Iraque, na Síria, no Iêmen e na Somália, que a Constituição é clara ao afirmar que as decisões sobre o uso da força militar exigem autorização prévia e específica do Congresso”.

A operação genocida de Trump, realizada em conjunto com Israel, foi considerada “ilegal e inconstitucional” pelos parlamentares, por não ter recebido aprovação do Congresso e violar os procedimentos estabelecidos para o uso da força militar, matando centenas de civis.

O senador Edward J. Markey denunciou as ações de Donald Trump, afirmando que elas aumentam o risco de uma guerra regional em larga escala, colocando em perigo tanto civis quanto soldados.

Ele também acusou o presidente de fabricar uma ameaça nuclear inexistente para justificar agressões como a “Operação Martelo da Meia-Noite”, enfatizando que até mesmo o secretário de Estado Marco Rubio reconheceu que Teerã não está enriquecendo urânio.

“Os estadunidenses não querem outra guerra sem fim no Oriente Médio. Eles não querem ver jovens sendo enviados para o exterior para uma guerra sem fim enquanto suas famílias em casa não têm condições de pagar por assistência médica. Se Trump não parar essa guerra agora, o Congresso deve fazê-lo. Chega de guerra com o Irã”, declarou Markey.

​O senador Tim Kaine classificou o ataque como um “erro colossal e idiota”, enquanto o senador Andy Kim reiterou que o conflito viola os princípios constitucionais do país.

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