O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou nesta segunda-feira (01) ataques militares contra o distrito de Dahiyeh, no sul da capital libanesa, Beirute, apesar do cessar-fogo, sinalizando uma escalada ainda maior da guerra, depois das tropas israelenses terem ocupado o castelo de Beaufort, do qual haviam se retirado há 26 anos, expulsos pelos libaneses, e ultrapassando o rio Litani.
Ao noticiar o deslocamento em massa forçado por Israel, que se seguiu à declaração, a emissora de televisão libanesa MTV afirmou: “O trânsito está intenso nas saídas das estradas que levam a Dahiyeh, e as forças de segurança estão trabalhando para facilitar o fluxo de veículos e controlar a situação.”
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, advertiu que os ataques israelenses no Líbano são peça-chave entre os fatores que entravam o processo para pôr fim ao conflito entre os EUA e o Irã, reiterando que um real cessar-fogo no Líbano é parte integrante de qualquer acordo.
A escalada contra o Líbano levou o Irã reagir energicamente, suspendendo a troca de mensagens e as negociações indiretas com os EUA e exigindo a completa cessação das operações militares israelenses em Gaza e no Líbano, enfatizando que ou há cessar-fogo em todas as frentes, ou não há cessar-fogo, segundo a agência de notícias Tasnim.
A trégua Irã – EUA entrou em vigor em 17 de abril e foi posteriormente prorrogada até o início de julho.
No entanto, segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques israelenses em todo o Líbano, durante o período que antecedeu e sucedeu à implementação do cessar-fogo, mataram mais de 3.400 pessoas e feriram mais de 10.000. Os deslocados são 1,6 milhão de pessoas.
ISRAEL OCUPA DEZENAS DE ALDEIAS
Israel está criando o que chama de “zona de segurança” no sul do Líbano e já mobilizou tropas para lá, de acordo com mapas das Forças de Defesa de Israel (IDF) e relatos da mídia. O país também ocupou dezenas de aldeias e está impedindo os moradores de retornarem às suas casas.
Na sexta-feira (29), as negociações militares trilaterais envolvendo o Líbano, o regime genocida israelense e os Estados Unidos foram concluídas no Departamento de Guerra dos EUA sem que se chegasse a um acordo.
As negociações, que duraram mais de nove horas, não conseguiram concordar sobre a exigência do Líbano de um cessar-fogo imediato, informou naquele dia a rede libanesa al-Mayadeen, citando fontes oficiais libanesas.
A fonte afirmou que a delegação israelense rejeitou repetidamente essa exigência e se recusou a retirar-se dos territórios que ocupa no Líbano.
EUA INSISTEM EM QUERER DITAR A POLÍTICA DO PAÍS
Após a reunião, o Departamento de Guerra também afirmou que os Estados Unidos enfatizam que o Líbano deve permanecer “livre” do que chamou de “grupos armados não estatais”, insistindo em se meter nas questões internas do país ignorando a contribuição histórica do Hezbollah para a defesa do Líbano e seu enraizamento no sistema político do país.
A obstinação do regime israelense em manter a agressão mortal contra o Líbano ocorre apesar do apelo do Irã por uma cessação urgente da agressão em todas as frentes da região, como parte de um possível memorando de entendimento entre a República Islâmica e os Estados Unidos.
Trump anunciou um cessar-fogo unilateral em 7 de abril, mas nem Washington nem Tel Aviv se comprometeram de forma significativa com seus respectivos compromissos.
FRANÇA CONVOCA SESSÃO DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU
A pedido da França, uma sessão do Conselho de Segurança da ONU foi convocada. O presidente francês, Emmanuel Macron, diz que “nada justifica a grande escalada em curso no sul do Líbano”.
Uma nova rodada de conversações entre Líbano e Israel, que não mantêm relações diplomáticas, está prevista para hoje e amanhã (2 e 3) em Washington.











