O primeiro-ministro israelense, Netanyahu, ordenou nesta segunda-feira (01) ataques militares contra o distrito de Dahiyeh, no sul da capital libanesa, Beirute, apesar do cessar-fogo, sinalizando uma escalada ainda maior da guerra turbinada pelos Estados Unidos.
Ao noticiar o deslocamento em massa forçado por Israel, que se seguiu à declaração, a emissora de televisão libanesa MTV afirmou: “O trânsito está intenso nas saídas das estradas que levam a Dahiyeh, e as forças de segurança estão trabalhando para facilitar o fluxo de veículos e controlar a situação.”
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que os ataques israelenses no Líbano são peça-chave entre os fatores que entravam o processo para pôr fim ao conflito entre os EUA, pois o Irã reitera que um real cessar-fogo no Líbano é parte integrante de qualquer acordo.
Em sua coletiva de imprensa semanal na segunda-feira, o ministro do Exterior do Irã respondeu a uma pergunta sobre os acontecimentos no Líbano e as atrocidades israelenses contra os cidadãos do país.
“Nossa região enfrenta uma beligerância contínua por parte do regime sionista. Isso não se trata apenas de hoje ou de ontem. Nos últimos 80 anos, o regime sionista, com o apoio dos EUA, travou uma guerra permanente e interminável contra os países da região”, disse ele.
A trégua Irã – EUA entrou em vigor em 17 de abril e foi posteriormente prorrogada até o início de julho.
No entanto, segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques israelenses em todo o Líbano, durante o período que antecedeu e sucedeu à implementação do cessar-fogo, mataram mais de 3.400 pessoas.
ISRAEL OCUPA DEZENAS DE ALDEIAS
Israel está criando o que chama de “zona de segurança” no sul do Líbano e já mobilizou tropas para lá, de acordo com mapas das Forças de Defesa de Israel (IDF) e relatos da mídia. O país também ocupou dezenas de aldeias e está impedindo os moradores de retornarem às suas casas.
Na sexta-feira (29), as negociações militares trilaterais envolvendo o Líbano, o regime genocida israelense e os Estados Unidos foram concluídas no Departamento de Guerra dos EUA sem que se chegasse a um acordo.
As negociações, que duraram mais de nove horas, não conseguiram concordar sobre a exigência do Líbano de um cessar-fogo imediato, informou naquele dia a rede libanesa al-Mayadeen, citando fontes oficiais libanesas.
A fonte afirmou que a delegação israelense rejeitou repetidamente essa exigência e se recusou a retirar-se dos territórios que ocupa no Líbano.
EUA INSISTE EM DITAR A POLÍTICA DO LIBANO
Após a reunião, o Departamento de Guerra também afirmou que os Estados Unidos enfatizam que o Líbano deve permanecer “livre” do que chamou de “grupos armados não estatais”, insistindo em se meter nas questões internas do país ignorando a contribuição histórica do Hezbollah para a defesa do Líbano e seu enraizamento no sistema político do país.
A obstinação do regime israelense em manter a agressão mortal contra o Líbano ocorre apesar do apelo do Irã por uma cessação urgente da agressão em todas as frentes da região, como parte de um possível memorando de entendimento entre a República Islâmica e os Estados Unidos.
Trump, anunciou um cessar-fogo unilateral em 7 de abril, mas nem Washington nem Tel Aviv se comprometeram de forma significativa com seus respectivos compromissos.
FRANÇÃ CONVOCA SESSÃO DO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU
A pedido da França, uma sessão do Conselho de Segurança da ONU foi convocada. O presidente francês, Emmanuel Macron, diz que “nada justifica a grande escalada em curso no sul do Líbano”.
Uma nova rodada de conversações entre Líbano e Israel, que não mantêm relações diplomáticas, está prevista para hoje e amanhã (2 e 3) em Washington.











