No 8 de Março, deputadas defendem fim da escala 6×1 e políticas de combate ao feminicídio

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Apelos pelo fim da escala de trabalho 6×1 e contra o vertiginoso aumento da violência contra as mulheres marcaram a sessão solene na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (4), em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, celebrado no próximo 8 de março.

Durante a sessão solene, iniciativa da deputada Alice Portugal ((PCdoB-BA), parlamentares e convidadas como a Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, discorreram sobre o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso como importante medida, especialmente para as mulheres, que frequentemente enfrentam dupla ou tripla jornada, e sobre os altos índices de assassinatos e violência contra as mulheres no país.

“A luta pela redução da jornada de trabalho, sem redução de salário, pelo fim da escala 6×1, faz parte do corolário de luta pelo direito da mulher, que se extenua, tem dupla jornada, sai cedo para o trabalho e volta extenuada e ainda tem que garantir a comida para a família”, afirmou a deputada Alice Portugal.

Ressaltando que as mulheres “são as maiores vítimas de violência”, a deputada, que também é presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, citou estatísticas estarrecedoras sobre o tema.

“A explosão do feminicídio é algo que nos preocupa e foca as nossas ações. São quatro feminicídios por dia. Hoje, os estados com maior índice de registro são São Paulo (227), seguido de Minas Gerais (133) e Bahia (105). Os dados são do ano passado. As principais vítimas são negras, 66,9%, com idade entre 18 e 44 anos”.

Continuando, Alice Portugal afirmou que, em 2023, o Brasil também registrou um estupro a cada seis minutos. “Foram 83 mil vítimas e uma taxa de 41,4 entre mil mulheres. Esta semana, ficamos estarrecidas com o caso de um estupro coletivo no Rio de Janeiro. É algo extremamente grave que precisa ser esclarecido e criminosos presos e a vítima redimida. Portanto, a luta pela paz, por uma cultura de paz, passa por orçamento para políticas públicas para mulheres”, ressaltou. E convocou: “por isso, nós precisamos erguer a voz e nos unirmos em torno dessas pautas”.

A deputada Dandara (PT-MG) também defendeu o fim da escala 6×1, projeto que tramita na Câmara. “Qualquer pessoa que defende a família tem que defender o fim da escala 6×1, porque é garantir o maior convívio dos pais, da família com as crianças. Chega de exaustão na vida das mulheres”, disse.

“Nesse momento em que a gente vem debatendo a luta contra o feminicídio, o aumento da violência contra as mulheres, sem dúvida alguma, essa é uma das nossas prioridades. Então, a bancada feminina se une ao pacto, ao enfrentamento ao feminicídio”, afirmou a coordenadora dos Direitos da Mulher na Câmara, deputada Jack Rocha (PT-ES).

Destacando que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma tarefa do Estado e de toda a sociedade, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, falou do lançamento do Pacto Brasil contra o Feminicídio, que articula os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no enfrentamento à essa realidade.

“Precisamos atuar na base dessa transformação. Na educação, na prevenção e na construção de uma sociedade que reconheça a igualdade entre meninas, mulheres e homens em toda a sua diversidade. Essa é uma tarefa coletiva que envolve governos, escolas, famílias e instituições”, defendeu a ministra.

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