Ronaldo Carmona denuncia a ameaça feita pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, contra a soberania da região
O especialista em geopolítica e professor da Escola Superior de Guerra, Ronaldo Carmona, afirmou que os Estados Unidos utilizam o tema do combate ao narcotráfico para ameaçar militarmente países da América Latina e buscam impedir que esses países mantenham relações com outras potências.
Carmona, que é mestre e doutor em geografia pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), comentou a ameaça feita pelo secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth.
Hegseth, após firmar acordos de combate a cartéis com 16 países da América Latina, disse que “os Estados Unidos estão preparados para enfrentar essas ameaças e partir para o ataque sozinhos”.
Para Ronaldo Carmona, essa é uma “ameaça gravíssima” dos EUA contra outros países, e, sob o governo Trump, “as ameaças costumam se materializar”.
O especialista citou o caso da Venezuela, que foi invadida e teve seu presidente sequestrado pelos Estados Unidos, e do Irã, que está sendo bombardeado e teve o Aiatolá Ali Khamenei assassinado.
Ao invadir a Venezuela, Donald Trump disse que o fazia para combater o tráfico de drogas. Carmona apontou que “é difícil imaginar que as forças de segurança americanas não tenham meios para proteger autonomamente suas próprias fronteiras”.
“Ao evocar a Doutrina Monroe, [os EUA] o faz propondo expurgar a presença de potências extrarregionais das Américas, em uma ameaça explícita à liberdade de ação das nações da América Latina”, continuou. A doutrina Monroe é utilizada pelos EUA como “justificativa” para intervir politicamente, economicamente ou militarmente em outros países do continente.
Carmona explicou ainda que os EUA tentam forçar os países da América Latina a se alinharem à sua política, “impedindo-os de manter relações abertas com os vários polos de poder mundial”.
O professor da Escola Superior de Guerra considera isso “um constrangimento à soberania inaceitável para a América Latina”.
Ronaldo Carmona defendeu que o Brasil deve estabelecer como “urgente” e “prioridade nacional” o combate “às organizações criminosas brasileiras, até para não oferecer pretexto a Washington de utilizá-las com fins de ameaça à soberania brasileira”.











