Durante seu discurso na cerimônia do prêmio Goya, em Barcelona, a atriz Susan Sarandon denunciou que foi boicotada nos estúdios cinematográficos de Hollywood após se posicionar contra a agressão de palestinos em Gaza e defender um cessar-fogo no conflito.
A vencedora do Oscar pelo filme Os Últimos Passos de um Homem (1995) relatou que já em 2023 foi desligada da agência que a representava, e que, desde então, ficou praticamente sem oportunidades na indústria cinematográfica norte-americana.
“Fui demitida pela minha agência, especificamente por protestar e me posicionar sobre Gaza, por pedir um cessar-fogo. Passou a ser impossível até mesmo fazer aparições na televisão. Não sei se isso mudou recentemente. Eu não conseguia fazer nenhum grande filme ou qualquer coisa ligada a Hollywood”, revelou.
Em meio às dificuldades que enfrentava nos Estados Unidos, Susan assinalou que passou a trabalhar na Europa.
“Acabei de fazer um filme na Itália e fiz uma peça de teatro no Old Vic (em Londres) por vários meses. Conheço um diretor italiano que me contratou; disseram a ele para não me contratar, então isso ainda é algo recente. Ele não deu ouvidos, mas essa conversa existiu. Agora, eu meio que me especializo em filmes pequenos, com cineastas que nunca dirigiram antes, em produções independentes.”
NA ESPANHA TEM MAIS LIBERDADE DO QUE NOS EUA
A atriz frisou que tem mais liberdade intelectual na Espanha do que nos Estados Unidos.
“Em um lugar onde você sente repressão e censura, ver a Espanha, ver o presidente e o que ele diz, e o apoio que está dando sobre Gaza, e ter atores como Javier Bardem se posicionando de forma tão forte, é muito importante para nós nos Estados Unidos. Não consigo explicar, quando você liga a TV e vê como a Espanha é firme e como vocês são claros moralmente sobre essas questões, isso faz você se sentir menos sozinho e faz você sentir que há esperança, porque simplesmente não se ouve isso na televisão nos EUA”, afirmou.
O governo da Espanha, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, anunciou já em setembro passado um pacote de sanções com nove pontos contra Israel. As medidas, que incluem o embargo de armas e a proibição na sua região do trânsito de navios e aeronaves com destino ao país que oprime os palestinos foram explicadas por Sánchez como resposta ao que chamou de “genocídio em Gaza”.
Mesmo diante das dificuldades relatadas, Sarandon afirmou permanecer comprometida com suas posições políticas e com o debate público internacional, defendendo o papel dos artistas na discussão de temas sociais e humanitários.











