Com 25 das 100 cadeiras no Senado colombiano, Pacto Histórico faz a maior bancada e, apesar de melhor posicionado, ainda não tem maioria absoluta. Petro dependerá de acordos para passar projetos no parlamento
Com 100% das urnas apuradas, as forças patrióticas do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, venceram as eleições para o Congresso neste domingo (8), se consolidando como a principal força política do país. No total, o Polo Patriótico somou 4.203.192 votos (22,86%) – superando os 2,8 milhões de quatro anos atrás – e alcançando 25 das 100 cadeiras do Senado – um aumento significativo em comparação com as 20 cadeiras antes conquistadas.
Mais dois assentos são eleitos pelo círculo eleitoral nacional especial para as comunidades indígenas, cinco são atribuídos ao partido Comunes (antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (como parte do acordo de paz) e um corresponde ao candidato presidencial que ocupar o segundo lugar nas votações presidenciais.
O movimento de Petro foi seguido pelo Centro Democrático com 2.881.793 votos (15,67%) e 17 cadeiras. O Partido Liberal alcançou 2.150.998 votos (11,7%) e 13 cadeiras, enquanto a Aliança pela Colômbia – para onde converge a Aliança Verde – alcançou 1.809.242 votos (9,84%) e 11 cadeiras. A lista de partidos que alcançaram o coeficiente é integrada pelo Partido Conservador (1.759.967 votos, 10 cadeiras), Partido Social de Unidade Nacional (1.470.866 votos, oito cadeiras), Coalisão Mudança Radical-ALMA (1.191.333 votos, sete cadeiras), Agora Colômbia (863.859 votos, cinco cadeiras) e Movimento de Salvação Nacional (669.888 votos, quatro cadeiras).
Pela primeira vez em décadas, o ex-presidente Álvaro Uribe Vélez (2002-2010) não conseguiu ser eleito, embora o seu partido, o Centro Democrático, tenha obtido 17 cadeiras. O ex-vice-presidente Germán Vargas Lleras (que este com Juan Manuel Santos do início do governo em 2014 até sua renúncia em 2017) também sofreu um revés: Cambio Radical reduziu sua presença no Congresso ao obter 7 cadeiras, abaixo das eleições anteriores.
PEÇAS-CHAVE DA OPOSIÇÃO A PETRO FICAM DE FORA DA DISPUTA
Angélica Lozano, esposa da candidata presidencial Claudia López e uma das vozes mais críticas ao governo Petro, ficou de fora do Senado, assim como Katerin Miranda, que aspirava uma vaga na Câmara dos Deputados. A derrota se soma à decisão do partido de não dar a Lozano a cabeça de lista na consulta interna, que perdeu para Luis Eduardo “Lucho” Garzón.
O candidato presidencial do Polo Patriotico, Iván Cepeda, apontou que esta será a a segunda metade do projeto político de desenvolvimento e soberania. “Com uma bancada forte e comprometida iniciaremos uma nova etapa de transformações. Aprofundar as mudanças não é extremismo, nem significa dividir o país, s;ignifica torná-la apenas mais justa, mais próspera e mais humana”, afirmou. De acordo com Iván Cepeda, o objetivo é transformar a Colômbia em “uma potência mundial da vida”.
A mensagem mais contundente foi contra os que assaltaram os cofres públicos para fazer o jogo dos mesmos de sempre. “Aos corruptos do país: estamos notificando-os a partir de agora. Nossa luta será firme e implacável”, frisou Cepeda, assinalando que o Pacto promoverá a “rebelião dos cidadãos contra a grande corrupção”.
As consultas interpartidárias também definiram os candidatos presidenciais que concorrerão no próximo dia 31 de maio contra Iván Cepeda: a senadora uribista Paloma Valencia; a ex-prefeita Claudia López; o ex-senador Roy Barreras; Abelardo de la Espriella e Sergio Fajardo. Se nenhum candidato obtiver maioria absoluta, os dois mais votados passarão ao segundo turno em 21 de junho.











