Exército apresentou ao presidente Lula as prioridades de defesa diante do aumento da agressividade do imperialismo norte-americano
O presidente Lula já manifestou sua intenção de aumentar os investimentos em defesa diante do agravamento do quadro internacional e de agressões a outros países por parte dos EUA.
“Se a gente não se preparar na questão da defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, advertiu Lula na recepção ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. “Então, nós pensamos em defesa como dissuasão”, acrescentou.
Neste sentido vária medidas já estão sendo tomadas. Uma dela é o apoio à recuperação da Avibrás, empresa fabricante de lançadores de mísseis. O Exército apresentou ao presidente, segundo reportagem do Estadão, um plano para reaparelhamento das FFAA com vistas à defesa nos tempos de drones e guerra cibernéticas.
O Exército aposta na retomada da produção da Avibrás para dar andamento ao projeto de seu míssil tático de cruzeiro com alcance mínimo de 300 quilômetros. De acordo com dados do Escritório de Projetos do Exército (EPEx), 90% do projeto está pronto – falta apenas a campanha de tiros. A Força ainda está desenvolvendo o Míssil Tático Balístico S+100, que deve aproveitar o conhecimento adquirido com o projeto S-80. O míssil deverá ter interoperabilidade com outros sistemas da Avibrás.
Na avaliação de especialistas, o Brasil não teria, hoje, como se defender de um enxame de drones como o que foi lançado contra o Irã pelos EUA.

Entre os projetos prioritários do Exército está a defesa antiaérea de média altura, hoje inexistente na Força Terrestre – a defesa de alta altura ficará a cargo da Força Aérea Brasileira (FAB). Pelo plano do Estado-Maior do Exército (EME), para que o País tenha capacidade de dissuasão seriam necessários três grupos de artilharia antiaérea com três baterias cada.
O programa deve permitir a integração de radares de diferentes origens, inclusive equipamentos nacionais. O sistema usa mísseis CAMM-ER, semelhante aos das fragatas da Classe Tamandaré, da Marinha. Um terceiro grupo deve ficar na região Norte e baterias seriam ainda colocadas para a proteção de infraestruturas críticas.
O plano do Exército foi entregue ao presidente Lula. Ele prevê um investimento total de R$ 456 bilhões para que o País possa se defender de ameaças de potências estrangeiras criadas pelo novo cenário geopolítico mundial e pelas inovações do campo de batalha na era dos drones.
O segundo programa prioritário do Exército, segundo a reportagem, é corrigir a quase ausência de drones da Força Terrestre. O tema está sendo tratado como uma emergência nacional, pois sem eles o País pode estar indefeso diante de qualquer ação estrangeira. O plano do EME tem duas vertentes: uma que privilegia a compra de material pronto nacional ou estrangeiro e outra que visa o desenvolvimento nacional para garantir a autonomia do País.
Ao todo, 26 empresas com capacidade para produzir drones das modalidades 0, 1, 2 e 3 armados, com capacidade de combate, apresentaram-se ao Exército. Há empresas nacionais capazes de fornecer de imediato o equipamento. Fontes do Exército informaram ao Estadão que seriam necessários investir R$ 3,7 bilhões nessa área – os gastos globais chegariam a cerca de R$ 10 bilhões entre 2026 e 2040.
O comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, e o chefe do EME, general Francisco Humberto Montenegro Júnior, levaram o plano do Exército a Lula na reunião em que os chefes das Forças Armadas tiveram com o presidente após a ação americana que sequestrou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A urgência de equipar a Força com drones foi reforçada pelo uso desse tipo de equipamento pelo Irã durante a agressão de americano-israelenses ao país.
A nova realidade geopolítica mundial impõe ao Brasil um aumento dos investimentos na defesa antes que seja tarde demais, antes que alguém anuncie que deseja tomar a Amazônia ou o petróleo da margem equatorial para “defender a sua segurança nacional”.
A agressividade dos EUA torna o mundo mais perigoso e não parece mais possível apostar que o Brasil e seu entorno estratégico continuarão distantes das convulsões que ameaçam envolver os demais continentes em conflitos regionais cada vez maiores e imprevisíveis. Lula manifestou a consciência de que a melhor maneira de garantir sua sobrevivência é negar vantagens estratégicas ao inimigo.











