Manifestantes vaiam o chefe do Pentágono durante sua apresentação no Senado

Manifestante da organização Code Pink ergue cartaz exigindo o fim da guerra ao Irã (Guardian)

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, foi vaiado por manifestantes no Capitólio enquanto discursava perante o Comitê de Serviços Armados do Senado, na quinta-feira (30).  

Hegseth tentava minimizar os gastos com a guerra contra o Irã quando um manifestante o interrompeu bradando: “Você é um criminoso de guerra. Você deveria ser preso. O que você está fazendo é desprezível!”.

O cidadão que iniciou a denúncia contra Hegseth ergueu um cartaz escrito à mão, afirmando que os norte-americanos não querem participar da guerra contra o Irã. Foi escoltada para fora da audiência pela Polícia do Capitólio, juntamente com outros manifestantes.

Questionado sobre quanto mais o governo pretende gastar na campanha militar, o secretário preferiu não responder. O foco da audiência era o novo pedido de orçamento da mal denominada ‘defesa’ do Pentágono. O governo Trump pediu cerca de US$ 1,5 trilhão para 2027, um aumento de 40% em relação a 2026.

GASTOS NA GUERRA, APRESENTADOS PELO PENTÁGONO, SÃO SUBESTIMADOS

Já a cifra de US$ 25 bilhões apresentada pelo Pentágono como o custo da guerra ilegal contra o Irã é cada vez mais considerada enganosa, visto que novos detalhes apontam para um gasto financeiro muito maior, além dos danos significativos às forças norte-americanas causados ​​por ataques defensivos iranianos.

Esse montante, apresentado por um alto funcionário do Pentágono a parlamentares na quarta-feira (28) como o custo total da guerra até o momento, subestima significativamente a realidade, informou a CNN, citando fontes anônimas familiarizadas com avaliações internas.

Para efeito de comparação, o montante representa apenas uma fração dos recursos autorizados para auxiliar a Ucrânia. Além disso, o Departamento de Defesa solicitou um orçamento histórico de 1,5 trilhão de dólares para o próximo ciclo. Esse pedido contrasta com a proposta inicial da atual gestão de manter o país afastado de grandes conflitos externos.

MEMBROS DO PARTIDO DEMOCRATA PEDEM DEMISSÃO DE HEGSETH

Depois da vaia, durante a audiência de quase seis horas perante o Comitê de Serviços Armados da Câmara, onde foi submetido a intensos questionamentos sobre os custos da guerra em dinheiro, vidas e o esgotamento dos estoques de armas essenciais, membros do partido democrata na Câmara dos Representantes, apresentaram uma petição para destituir o secretário de Guerra, Pete Hegseth.

O secretário está sob investigação devido a seu papel nas operações dos EUA no Irã e na Venezuela, sob acusações de desvio, abuso de poder e crimes de guerra.

A deputada Yassamin Ansari, a primeira democrata iraniana-americana no Congresso, lidera a resolução com o apoio de outros oito parlamentares, acusando Hegseth de ser cúmplice de uma “guerra ilegal e devastadora” e de cometer crimes graves.

O documento denuncia uma guerra não autorizada contra o Irã e o risco imprudente imposto às tropas americanas. Os legisladores questionam os ataques realizados sem autorização do Congresso e a aprovação de planos extremamente arriscados, incluindo o planejamento de operações terrestres em território iraniano.

Detalha ainda violações do direito internacional humanitário e ataques contra civis, nos quais Hegseth teria autorizado ou tolerado ações que destruíram infraestrutura essencial. A acusação enfatiza o bombardeio de uma escola feminina em Minab, que deixou mais de 160 crianças mortas no início dos ataques dos EUA contra o Irã, no final de fevereiro passado.

O relatório inclui ataques contra embarcações no Mar do Caribe e no Pacífico Oriental sob alegações de tráfico de drogas que não foram comprovadas pelos serviços de inteligência. O texto destaca que Hegseth afirmou que seu país não mostra misericórdia ou compaixão por aqueles que designa como inimigos, violando assim as Convenções de Genebra.

Embora a destituição do secretário tenha poucas chances de avançar devido à maioria republicana no Capitólio, os democratas já promoveram uma forte ofensiva em audiências no Congresso para a remoção da secretária Kristi Noem e da procuradora-geral Pam Bondi, que foram destituídas de seus cargos.

O Congresso terá que votar essa resolução em um clima delicado, após a renúncia de dois representantes acusados ​​de abuso sexual nas últimas semanas. Além disso, outros dois membros da Câmara continuam sob investigação do Comitê de Ética por corrupção e violência doméstica.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *