Professores da rede estadual de ensino de São Paulo estão mobilizados contra os ataques promovidos pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) à educação pública. Entre as medidas que vêm sendo implementadas estão o sucateamento da rede, o fechamento de salas de aula, a demissão de professores, avanço da privatização, a militarização de escolas e políticas que acabam ampliando a evasão escolar. A categoria também reivindica valorização salarial e melhores condições de trabalho.
Em assembleia realizada no último dia 6, convocada pela APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), os profissionais da educação aprovaram a realização de uma greve geral nos dias 9 e 10 de abril.
“A assembleia dos professores avaliou todos os ataques recentes que o governo de Tarcísio de Freitas vem desferindo contra a Educação pública e contra a categoria e colocou em pauta a necessidade da greve para dar uma resposta contundente à política de desmonte da Educação e dos serviços públicos, para levar o governo à negociação”, diz o sindicato.
Como parte da preparação para o movimento, no dia 9 de abril o sindicato e a comissão de greve realizarão visitas às escolas da rede estadual para dialogar com professores, estudantes, pais, mães e funcionários sobre a situação da educação e as reivindicações da categoria. No dia 10 será realizada uma nova assembleia estadual para avaliar o andamento da mobilização e definir os próximos passos do movimento.
A mobilização também se articula com outras categorias do funcionalismo público paulista. No dia 20 de março, os professores participarão do ato unificado do funcionalismo estadual da campanha salarial, que reivindica o cumprimento da data-base, a reposição das perdas salariais acumuladas e a defesa dos serviços públicos.
O cenário educacional no estado ajuda a explicar a insatisfação da categoria. São Paulo foi o estado que registrou a maior queda de matrículas no ensino médio em todo o país. Dados do Censo Escolar 2025, divulgados pelo Ministério da Educação, mostram que a rede estadual paulista perdeu 17% dos estudantes nessa etapa em apenas um ano, uma retração 2,5 vezes maior que a média nacional, que foi de 6,62%. Em números absolutos, a rede estadual passou de 1.514.428 alunos em 2024 para 1.257.489 em 2025, uma redução de 256.939 matrículas.
“Esse resultado catastrófico é consequência das políticas de desmonte da Educação pública do governo Tarcísio de Freitas, como a imposição de Escolas de Ensino Integral no ensino médio, quando deveria se iniciar paulatinamente desde a educação infantil. As mães trabalhadoras e a boa formação de seus filhos menores, base para a continuidade da formação escolar dessas crianças, necessitam de escolas em tempo integral”, defende a Apeoesp.











