STF forma maioria para manter Vorcaro, do Master, preso

Edifício do Supremo Tribunal Federal (Foto: Divulgação - STF)

A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a decisão que levou à prisão o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outros envolvidos no escândalo de fraudes e lavagem de dinheiro.

Daniel Vorcaro foi preso no dia 4 de março. Seu banco, o Master, foi liquidado por decisão do Banco Central.

Os ministros Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam o voto do relator, André Mendonça. E Dias Toffoli, antigo relator, não participará da decisão por declarar-se suspeito por motivos de “foro íntimo”. Ainda falta o voto de Gilmar Mendes.

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou um pedido para que ele seja solto, argumentando que não há na investigação “fatos novos”. A defesa disse, entre outras coisas, que a investigação não tem mensagens do banqueiro com outros investigados posteriores a novembro de 2025.

O ministro relator rebateu dizendo que as mensagens não vão além de novembro de 2025 porque aquele foi o momento em que o celular de Daniel Vorcaro foi apreendido. “Portanto, por imperativo lógico, obviamente, não haveria como se fazer menção a comunicações posteriores à referida data”, apontou.

Além disso, uma vez que a perícia só ocorreu em fevereiro de 2026, todas as mensagens obtidas são consideradas “fatos novos”. O ministro apontou que ainda faltam ser periciados outros oito celulares de Vorcaro que foram apreendidos.

Diante da “gravidade” das provas obtidas e “dos riscos evidenciados”, “não há como aguardar” o fim da investigação para decidir sobre a prisão de Daniel Vorcaro, “sob pena de se permitir a concretização e/ou o agravamento de lesões irreparáveis à integridade física de pessoas, à economia popular e ao sistema financeiro nacional”, assinalou.

Mendonça citou o caso em que um ex-funcionário de Vorcaro, Luis Felipe Woyceichoski, e sua família foram ameaçados de morte.

As mensagens interceptadas pela investigação mostram que Daniel Vorcaro encabeçou diretamente as conversas sobre a ação, que foi realizada pelo grupo “A Turma”.

Era membro de “A Turma” Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”,  apontado como operador das ações criminosas de intimidação a mando do banqueiro Daniel Vorcaro.

O relator destaca que nem todos os seis membros da “Turma” foram identificados e estão à solta, explicitando o “alto risco” de uma eventual decisão do STF de libertar Vorcaro.

Ele acrescenta que foram identificados os dois membros da organização criminosa “responsáveis pelas investidas de hackeamento e invasão digital perpetradas pela ‘Turma’”, que eram chamados de “os meninos”.

André Mendonça comentou também sobre o “Projeto DV”, posto em prática após a primeira prisão de Daniel Vorcaro, por meio do qual foram buscados influenciadores digitais que receberiam até R$ 2 milhões para falar a favor do banqueiro e contra o STF.

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