Cineasta Almodóvar e poeta Serrat encabeçam marcha contra agressão ao Irã em Madri

Palavra-de-ordem de "Não À Guerra" ecoou pelas ruas de Madri e outras 150 cidades espanholas (Fernando Villar-EFE)

Exigência do fim da agressão perpetrada pelo eixo EUA-Israel ao Irã mobilizou os espanhóis que realizaram marchas por 150 cidades, com a maior na capital, Madri.

Milhares de cidadãos espanhóis se mobilizaram em mais de 150 cidades de todo o país, neste sábado (14), para exigir o fim imediato da agressão e da guerra no Irã e no Oriente Médio, bem como solidariedade com Gaza.

A plataforma https://pararlaguerra.es/, que conta com o apoio de mais de 200 associações na Espanha, convocou para este sábado (14) as manifestações em protesto contra os bombardeios realizados pelos Estados Unidos e por Israel sob o grito histórico de “Não à guerra”, o mesmo que uniu milhões de pessoas em 2004 contra a ocupação militar do Iraque.

As manifestações, que foram pacíficas, ressaltaram que nenhum ato de agressão justifica o assassinato de centenas de pessoas inocentes ou a violação do direito internacional. Os cidadãos exigiram a autodeterminação dos povos e rejeitaram a intervenção estrangeira na região, condenando também o extermínio de palestinos em Gaza.

Em Madri, milhares de pessoas se reuniram em frente ao Museu Reina Sofía, onde está localizada a obra Guernica, de Picasso, um símbolo global contra a guerra. Os manifestantes entoavam slogans como “Não à Otan”, “Não à guerra” e “Quem decide aqui? O povo iraniano”, reafirmando o direito à autodeterminação dos dois povos – iraniano e palestino – diante de intervenções estrangeiras.

Ante o temor de ataques en suas sedes diplomáticas, tanto Estados Unidos, quanto Israel, solicitaram reforçar a segurança em suas embaixadas e consulados.

EXIGEM FIM DO BOMBARDEIO AO IRÃ E DO GENOCIDIO EM GAZA

Durante o evento, foi prestada homenagem às organizações de direitos humanos expulsas de Gaza e foi lido um manifesto que vincula a paz duradoura na região ao fim do genocídio contra o povo palestino.

O mundo cultural aderiu em massa ao dia de ação. Cineastas, escritores e jornalistas expressaram sua solidariedade às vítimas no Irã e em Gaza. Os organizadores enfatizaram a necessidade urgente de cessar os ataques, especialmente após o recente bombardeio americano à Ilha de Khark, um centro vital da indústria petrolífera iraniana.

ALMODÓVAR E SERRAT

Além das organizações pacifistas e a direção das duas principais centrais sindicais do país, Comisiones Obreras (CCOO) e a Unión General de Trabajadores (UGT), que têm liderado as mobilizações para denunciar o genocídio na Palestina, também aderiram à iniciativa diversas personalidades da cultura, do jornalismo e do esporte, como Pedro Almodóvar, Luis Tosar, Juan Echanove, Joan Manuel Serrat, Miguel Ríos, Miguel Poveda, Julio Medem, Jorge Valdano, Rosa María Calaf e Juan José Millás, entre outros.

A mobilização terminou com um apelo à união entre os democratas do mundo para trabalharem por uma paz justa que ponha fim à ofensiva genocida que ameaça a estabilidade de toda a humanidade hoje.

A ofensiva conjunta israelense-americana intensificou a crise no Oriente Médio , criando um cenário de violência que afeta principalmente a população civil.  Irã reafirma que qualquer agressão contra seu território será respondida  com força equivalente.

ESPANHA NÃO AUTORIZA AOS EUA O USO DE SUAS BASES MILITARES 

Os protestos que decidiram ativar a mobilização social se fortaleceram após a posição do presidente do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, sobre os bombardeios contra o Irã e após sua decisão de não autorizar os EUA a utilizarem as duas bases militares em território espanhol, em Rota e Morón de la Frontera, na Andaluzia, caso a operação não fosse protegida pelo direito internacional. “Três palavras: não à guerra” foi a consigna do presidente.

Essa postura provocou a ira de Trump, que classificou a Espanha como uma “aliada terrível” e ameaçou com sanções econômicas e a suspensão do comércio.

A declaração, lida em todas as 150 praças, reiterou que “rejeitamos categoricamente os ataques perpetrados pelos EUA e por Israel contra o Irã, que constituem uma violação do direito internacional e da legalidade. Conclamamos todos os democratas a condenarem essa agressão, defenderem o direito internacional e trabalharem por uma paz justa e duradoura no Oriente Médio, que deve incluir o fim do genocídio em Gaza e o reconhecimento dos direitos do povo palestino em conformidade com o direito internacional”.

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