PF cita Eduardo Bolsonaro e dá 15 dias de defesa em processo por abandono de cargo

O traidor do Brasil com boné de Trump (Foto: Reprodução - Redes sociais)

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi formalmente citado pela Polícia Federal em PAD (Processo Administrativo Disciplinar) que investiga possível abandono do cargo de escrivão da corporação.

A notificação foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) e marca o início do prazo de 15 dias para apresentação de defesa à comissão responsável pela investigação.

Segundo informações da própria PF, o procedimento foi instaurado em 27 de janeiro para apurar faltas injustificadas do servidor após o fim de seu mandato parlamentar. Caso seja comprovado abandono de função, o processo pode culminar na demissão do cargo público.

O ex-deputado ingressou na Polícia Federal em 2010, no cargo de escrivão, função da qual estava licenciado enquanto exercia mandatos parlamentares.

AUSÊNCIA APÓS PERDA DO MANDATO

A investigação disciplinar foi aberta após a PF determinar que Eduardo Bolsonaro retornasse ao trabalho depois de perder o mandato na Câmara dos Deputados, em 18 de dezembro de 2025.

De acordo com a corporação, o retorno ao posto de trabalho foi solicitado no início de janeiro. No entanto, o ex-parlamentar não teria se apresentado ao serviço, acumulando faltas por mais de 30 dias consecutivos.

Pelas regras do serviço público federal, a ausência injustificada por período superior a 30 dias pode caracterizar abandono de cargo: infração disciplinar considerada grave e passível de demissão.

RESIDÊNCIA NO EXTERIOR COMPLICA NOTIFICAÇÃO

A situação ganhou contornos mais complexos porque o ex-deputado está fora do País. De acordo com a portaria da corregedoria da PF, Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.

Por esse motivo, a citação ocorreu por meio de publicação oficial, vez que as autoridades registraram que o servidor se encontra em “lugar incerto e não sabido” para fins administrativos.

Além da abertura do PAD, a corregedoria determinou o afastamento cautelar do cargo, bem como a devolução da carteira funcional e da arma de fogo institucional até a conclusão das investigações.

DEFESA ALEGA PERSEGUIÇÃO POLÍTICA

O ex-deputado tem afirmado publicamente que deixou o Brasil por considerar que estaria sendo alvo de perseguição política e judicial.

Em manifestações nas redes digitais e entrevistas, aliados de Eduardo Bolsonaro também sustentam que as investigações fazem parte de ambiente de disputa política que envolve o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por liderar tentativa de golpe de Estado.

Até o momento, a defesa do ex-parlamentar não apresentou formalmente manifestação no processo administrativo.

POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS

Caso a comissão disciplinar conclua que houve abandono de função, Eduardo Bolsonaro poderá sofrer a perda definitiva do cargo de escrivão da Polícia Federal, o que implica também a anulação do vínculo com a carreira pública obtida por concurso.

O processo segue em fase inicial e deve incluir coleta de documentos, manifestação da defesa e análise da corregedoria da corporação antes da decisão final.

A investigação ocorre em momento de intensa exposição política do clã Bolsonaro, que enfrenta diferentes processos judiciais e investigações relacionadas ao período pós-eleições e a episódios que colocaram em debate a estabilidade institucional do País.

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