“A Voz de Hind Rajab”, uma denúncia demolidora da degeneração de Trump e Netanyahu

Equipe do Crescente Vermelho tentando salvar Hind Rajab (Divulgação)

O filme retrata uma episódio em que um tanque israelense disparou aproximadamente 355 tiros contra o carro onde estava a menina de 6 anos, Hind Rajab. Ela e toda a família foram assassinadas pelas tropas fascistas de Israel

Há alguns dias fiz uma matéria para o HP sobre a declaração do norte-americano Larry C. Johnson, ex-analista da Agência Central de Inteligência (CIA), de que Donald Trump e Benjamin Netanyahu são dois assassinos em série capazes de cometer qualquer crime contra a Humanidade e que eles precisam ser parados.

Não tinha assistido ainda o filme tunisiano, A Voz de Hind Rajab, dirigido por Kaouther Ben Hania, a história real de uma menina de seis anos encurralada junto com sua família em um carro sob o fogo dos fascistas israelenses em Gaza. Se tivesse visto antes, certamente concordaria ainda mais com Larry Johnson, mas acrescentaria uma enorme disposição de esganar o covardão e fascista Benjamin Netanyahu.

FOGO DE TANQUES

Hind Rajab estava na Cidade de Gaza, no norte da Faixa de Gaza, fugindo com sua tia, seu tio e três primos quando o carro em que estavam parece ter ficado cara a cara com tanques israelenses e foi atacado. Era uma segunda-feira, dia 29 de janeiro de 2024. Naquela manhã, o Exército israelense disse às pessoas para deixarem as áreas no oeste da cidade e seguirem para o sul, ao longo da estrada costeira.

A mãe de Hind, Wissam, lembra que houve bombardeios intensos na região. “Ficamos apavorados e queríamos fugir”, disse ela. “Estávamos fugindo de um lugar para outro, para evitar os ataques aéreos”. A família decidiu ir para o Hospital Ahli, na zona leste da cidade, na esperança de que fosse um local mais seguro para se abrigar.

Hind Rajab, de 6 anos

O filme retrata parte dessa fuga desesperada e é uma denúncia arrebatadora do fascismo israelense. Ele fala da destruição criminosa e do massacre de Gaza pelo exército de Israel, narrado a partir de um diálogo dramático e emocionante com uma menininha de seis anos que está escondida dentro do carro do tio, alvejado por rajadas de metralhadora. De acordo com investigações forenses, um tanque israelense disparou aproximadamente 355 tiros contra o carro onde estava Hind Rajab.

Na primeira ligação feita para o Crescente Vermelho Palestino, a voz era a da prima de Hindi, Layan. Ela diz à equipe do Crescente Vermelho que os pais e irmãos foram mortos e que há um tanque ao lado do carro. “Eles estão atirando em nós”, diz ela, antes que a conversa terminasse com o som de tiros e gritos. Quando a equipe do Crescente Vermelho liga de volta, é Hind Rajab quem atende, com a voz quase inaudível, tomada pelo medo.

ÚNICA SOBREVIVENTE

Logo fica claro que ela é a única sobrevivente no carro e que ainda está na linha de fogo. Seus parentes estão todos mortos entre os destroços. “Esconda-se debaixo dos assentos”, orienta a equipe. “Não deixe ninguém ver você”, orientou a operadora Rana Faqih. A voz que se ouve no filme, desesperada, dentro do carro cercado pelos tanques israelenses, é original. É da própria Hind, pedindo socorro. “Os tanques estão aqui. Eles estão atirando em mim”, diz a menina, pedindo para ser resgatada.

A equipe de voluntários do Crescente Vermelho Palestino se desdobra para salvar Hind Rajab. Eles lutam desesperadamente para que uma ambulância seja autorizada a atravessar um corredor humanitário e ir buscá-la. Os covardes israelenses negam a autorização e seguem atirando no carro. Enquanto Rajab falava com o canal de emergência, a linha foi cortada várias vezes, em meio ao som de tiros. A voz de Hind do outro lado da linha era baixa e fraca. Era de uma criança de 6 anos, sussurrando em um celular apavorada. “O tanque está perto de mim. Está se movendo”, dizia.

No centro de atendimento de emergência do Crescente Vermelho Palestino, está Omar A. Alqam, interpretado por Motaz Malhees, e Rana Hassan Faqih, representada pela atriz Saja Kilani. Eles se desdobram para salvar Hind. Eles tentam manter a menina calma. “Está muito perto?”, indagou. “Muito, muito”, respondeu a voz. “Você vem me buscar? Estou com muito medo”, perguntou Hind.

A mãe de Hind, Wissam, é encontrada pelos integrantes do Crescente Vermelho e chega a falar pelo telefone com sua filha. Desesperada, ela pede que Hind seja salva. “Estou esperando Hind a qualquer momento, a qualquer segundo”, dizia a mãe, com sua voz também original.

ROTA “SEGURA”

Depois de muita insistência, o Crescente Vermelho consegue a autorização para enviar uma ambulância ao local. O “roteiro seguro” é autorizado. Uma equipe é enviada e chega muito perto do local onde Hind estava.

Mas, o fascismo israelense mostrou-se em toda a sua monstruosidade. Eles não deixaram que a ambulância chegasse onde Hind estava. Os tanques de Netanyahu abriram fogo contra a ambulância do Crescente Vermelho, destruindo-a e matando os dois socorristas que foram resgatar a menina.

O carro da família foi encontrado 12 dias depois, destroçado

Até o corpo da filha ser descoberto, a mãe de Hind ainda acreditava num milagre. Depois de ver os destroços do carro e receber o corpo da filha, ela exige que alguém seja responsabilizado. “Para cada pessoa que ouviu a minha voz e a voz suplicante da minha filha, mas não a resgatou, vou interrogá-la diante de Deus no Dia do Juízo”, disse a mãe. “Netanyahu e todos aqueles que colaboraram contra nós, contra Gaza e seu povo, rezo contra eles do fundo do meu coração”, acrescentou.

No hospital onde esperava notícias da filha, Wissam ainda segurava a bolsinha rosa que guardava para a menina. Dentro dela, estava um caderno onde Hind praticava sua caligrafia. “Quantas mais mães vocês estão esperando que sintam essa dor? Quantas crianças mais você quer que morram?”, desabafou. Doze dias depois, os corpos foram encontrados dentro do carro e da ambulância.

A obra-denúncia dos tunisianos foi indicada para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Totalmente merecida. O ator Brad Pitt encabeçou uma lista de nomes de peso em Hollywood que ajudaram a financiar sua produção.

OSCAR

O filme não foi premiado mas certamente marcará profundamente a consciência da humanidade. A solenidade do Oscar, ocorrida no domingo (15), mostrou, com exceção do ator espanhol, Javier Bardem, que foi o único a protestar contra a guerra promovida pelas ditaduras Trump e Netanyahu, uma certa indiferença com as agressões criminosas de Israel e EUA aos palestinos e outros povos. O clima certamente não era para premiar um filme tão contundente como este.

A ambulância, covardemente atacada, ficou aos pedaços. Dois socorristas mortos

O ator Motaz Malhees, que interpreta um dos integrantes do Crescente Vermelho, denunciou que foi proibido de comparecer à cerimônia. Malhees afirmou que a ditadura Trump proíbe a entrada de cidadãos palestinos nos Estados Unidos. “Nosso filme foi indicado ao prêmio da Academia. Tive a honra de interpretar um dos papéis principais em uma história que o mundo precisava ouvir. Mas eu não pude comparecer”, escreveu Malhees. “Não tenho permissão para entrar nos Estados Unidos por causa da minha cidadania palestina”.

NOSSA VOZ SERÁ OUVIDA

O ator continuou: “Dói. Mas aqui está a verdade: você pode bloquear um passaporte. Você não pode bloquear uma voz. Sou palestino e mantenho minha posição com orgulho e dignidade. Nossa história é maior do que qualquer barreira, e ela será ouvida”, afirmou.

O filme não levou o Oscar, mas, certamente, feriu de morte, na consciência do mundo, a covardia dos fascistas israelenses a norte-americanos. Eles, com sua degeneração, estão repetindo Hitler ao assassinar milhares de pessoas ao redor do planeta. Parabéns aos autores dessa grande obra. Um filme que ficará na história como uma das maiores denúncias já feitas contra o fascismo. Uma película que aponta claramente para o mundo o grau de podridão a que chegou o imperialismo em sua decadência neste início do século XXI. A Voz de Hind Rajabe, sem dúvida, fará parte do tesouro cultural da humanidade.

SÉRGIO CRUZ

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