Empresa americana se apossa da única mina em produção de terras raras no Brasil, alerta Sindicato

Foto: Reprodução-Linkedin-Serra Verde Group

“Recentemente, um grupo americano fez um investimento de cerca de R$ 2,8 bilhões para garantir a produção por alguns anos”, declarou Pedro Paulo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas e Beneficiamento de Minaçu – GO e Região, em entrevista exclusiva à Hora do Povo. A USA Rare Earth adquiriu a Serra Verde, proprietária da única mina de terras raras em produção no Brasil, único produtor fora da Ásia capaz de fornecer, em escala, todos os quatro elementos magnéticos de terras raras.

Segundo Pedro, “há dois anos já estava tudo pronto para iniciar a exploração dos minerais terras raras na mina Pela Ema, em Minaçu, no norte de Goiás, da Mineração Serra Verde. Os EUA irão agora absorver 100% da produção”.

“Hoje a mina deve ter uns 400 trabalhadores. E agora estão contratando novamente. A previsão é que até julho consigam extrair as terras raras. Falam em cerca de 5 mil toneladas inicialmente”. Conforme Adilson Santana, da Federação dos Trabalhadores na Indústria de Goiás, que já foi presidente do Sindicato durante quatro mandatos, também participando da entrevista, “já são 17 anos de pesquisas para chegar à produção e ainda não conseguiram produzir plenamente”. Para Pedro Paulo, “o problema principal é a purificação do minério, que precisa chegar a 98%.

Pedro Paulo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas e Beneficiamento de Minaçu – GO e Região, e Adilson Santana, da Federação dos Trabalhadores na Indústria de Goiás. foto: Divulgação

De acordo com Adilson, “o sindicato está acompanhando a possibilidade do governo Lula criar a estatal Terrabras”. Para ele “ainda não caiu a ficha de que pode ser uma mineração altamente estratégica. Os trabalhadores não têm essa dimensão. Estamos falando de uma cidade pequena, cerca de 30 mil habitantes”. “Hoje o minério é exportado sem valor agregado. Vai direto para a China, sem refino no Brasil”. Para o dirigente sindical, “o ideal seria refinar aqui, porque agregaria valor. Antes, a China dominava esse processo. As exportações eram voltadas principalmente para a China, país que domina 60% da extração e 90% do refino desses minerais.

“A gente soube disso pelo governo do estado, mas não temos detalhes. Também não sabemos como ficou a questão legal. Nos termos do artigo 176 da Constituição Federal, as jazidas e os recursos minerais do subsolo são bens da União. As empresas mineradoras não são proprietárias das jazidas, mas apenas titulares de concessões de lavra”, ressalta.

CARLOS PEREIRA

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