O diretor do denominado Centro Nacional de Contraterrorismo, Joe Kent, renunciou ao seu cargo e condenou a agressão comandada por Trump contra o Irã
Kent admite que a decisão de atacar o país do Oriente Médio não se sustenta, pois “o Irã não representa uma ameaça iminente para a nossa nação”.
O funcionário do governo norte-americano destaca, na sua carta de renúncia, que “está claro que iniciamos essa guerra por conta da pressão de Israel e de seu poderoso lobby nos EUA”.
A declaração de Kent é um duro golpe sobre Trump, uma vez que desmonta seus argumentos de “ameaça iminente”, usados inclusive para justificar sua declaração de guerra a outro país sem a obtenção de aval pelo Congresso norte-americano, como estabelecido nas leis dos EUA.
A denúncia expõe ainda de forma mais grave a estupidez de Trump uma vez que – como afirma Kent – foi tomada por “pressão de Israel” e para atender o lobby judaico norte-americano.
O ex-membro do governo na Casa Branca chama ainda a atenção de Trump de que as guerras no Oriente Médio são “arapucas que roubaram dos EUA vidas preciosas de nossos patriotas e minaram nossa riqueza e a prosperidade de nossa nação”.
A decisão de um alto funcionário da Casa Branca acontece em um momento de fragilização do governo Trump devido à determinada e firme resposta das forças iranianas, deixando claro que esta agressão ao povo iraniano vai custar caro ao agressor devido ao poder dissuasório desenvolvido pelo Irã, que previu corretamente o estado de guerra gestado pelos EUA desde o momento em que impôs sanções para sabotar a economia iraniana, além de abrir campanha ideológica contra o governo estabelecido pela revolução que libertou o Irã da ditadura Pahlevi submissa aos interesses de Washington.
A fragilidade da posição adotada por Trump ficou mais evidente quando, diante do fechamento do Estreito de Ormuz, os governos europeus se recusaram a embarcar no conflito e se negam a atender seu pedido de escolta militar para forçar a passagem de navios contra e sem autorização governamental iraniana.
Além disso, pesquisas de opinião mostram que menos da metade dos americanos apoiam a o ataque ao Irã. Trump enfrenta correligionários republicanos que agora o acusam de haver abandonado sua promessa de campanha de não se envolver em “guerras dos outros”.
Na carta de renúncia, Kent também denuncia que ”altos funcionários israelenses” e jornalistas influentes dos EUA disseminaram “desinformação” sobre uma questão tão grave como a declaração de guerra.
“Esse eco foi usado para enganá-los e fazê-los acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos foi uma mentira”, deixa claro Kent em sua carta.
A renúncia de Kent adquire mais contundência se considerarmos que ele é funcionário veterano da CIA que chega a afirmar “não pode apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz nenhum benefício ao povo americano nem justifica o custo de vidas americanas”.











