Evento gratuito acontece no Cine-Teatro Denoy de Oliveira a partir deste sábado (4), com sessões sempre às 18h
São Paulo — A 2ª edição da Mostra “Cinema e Samba – Vai no Bixiga Pra Ver!” começa neste sábado (4 de abril) e promete levar ao público uma programação diversa sobre um dos maiores fenômenos culturais do Brasil. Organizada pelo Centro Popular de Cultura da UMES (CPC-UMES), a mostra será realizada no Cine-Teatro Denoy de Oliveira, localizado na Rua Rui Barbosa, 323, no tradicional bairro do Bixiga, região histórica para o samba na capital paulista.
Ao todo, serão exibidos 10 filmes que percorrem diferentes vertentes do gênero — do samba de roda ao partido alto, passando pelo pagode, chula, calango, marcha, batucada, samba de breque, enredo, canção, samba de viola, rural, chorado, de terreiro e sincopado. A seleção inclui obras que retratam personagens fundamentais da história do samba no Brasil, entre documentários e ficções.
A programação inclui títulos como Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba e Um Homem de Moral, no dia 4 de abril; Couro de Gato e Onde a Coruja Dorme, no dia 11; Natal da Portela, no dia 18; e Noitada de Samba – Foco de Resistência, no dia 25. A mostra se encerra em 2 de maio com a exibição de Aldir Blanc – Dois Pra Lá, Dois Pra Cá.
“O samba é tudo isso e um pouco mais, que retratamos mais uma vez na tela do Cine-Teatro Denoy de Oliveira”, destaca a organização em comunicado.
VIVA ALDIR BLANC
A última sessão da mostra será dedicada à vida e à obra do compositor Aldir Blanc, um dos maiores poetas da música popular brasileira. Vítima do negacionismo durante a pandemia da Covid-19, Blanc também foi um defensor intransigente da democracia e da cultura. “Em sua memória, dedicamos essa mostra: CHAMA, ALDIR!”, diz o comunicado.
SERVIÇO
As sessões acontecem sempre às 18h, com entrada gratuita. O Cine-Teatro Denoy de Oliveira fica na Rua Rui Barbosa, 323, no Bixiga. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 94662-6916 (WhatsApp).
“Pode chegar que você é nosso convidado para este samba!”, convidam os organizadores.

PROGRAMAÇÃO
04/04/2026
Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba
Dirigido por Ricardo Dias e Thomaz Farkas (2006), Brasil. 10 min.
Na comemoração do IV Centenário de São Paulo, em abril de 1954, Thomaz Farkas filmou uma apresentação de Pixinguinha com a Velha Guarda do Samba no Parque do Ibirapuera. 50 anos depois, o curta recupera o material capturado pelo cineasta com sua Kodak 16mm, de corda. Foram filmados 6 minutos de um espetáculo maravilhoso do Pessoal da Velha Guarda, com Pixinguinha, Donga, João da Bahiana, Almirante, Alfredinho do Flautim, Jacó Palmieri e Benedito Lacerda. O filme, perdido por quase meio século, traz para o público as únicas imagens em movimento do grupo que se tem conhecimento.
Um Homem de Moral
Dirigido por Ricardo Dias (2009), Brasil. 84 min.
Paulo Vanzolini, um dos mais importantes compositores do samba de São Paulo, é a figura central deste longa. Apresentando o autor através de seus sambas, amigos e de sua cidade, o filme busca contar a vida do singular personagem que mescla música e ciência em sua trajetória. Compositor de canções populares como “Ronda” e “Volta por Cima”, Vanzolini celebrou 100 anos de seu nascimento em 2025.
Através de entrevistas com o autor, parceiros e amigos, e de filmagens dos ensaios e das gravações de estúdio para o conjunto de quatro CDs, chamado “Acerto de Contas”, em 2002, e do show nas dependências do SESC na Vila Mariana, bairro do estado de São Paulo, o filme nos traz um rico panorama do trabalho do compositor.
11/04/2026
Couro de Gato
Dirigido por Joaquim Pedro de Andrade (1962), Brasil. 15 min.
Durante os preparativos para o carnaval, garotos da favela vendem gatos para que os couros sejam utilizados na confecção de tamborins pelas escolas de samba. Um dos garotos pega um gato angorá de uma madame, brinca e divide a sua comida com ele. Ele hesita em vendê-lo para o fabricante de tamborins, mas sua fome é grande.
Episódio do filme Cinco Vezes Favela (produzido pelo CPC da UNE e considerado um marco do Cinema Novo) em 1962; recebeu o Prêmio de Melhor Filme no Festival de Sestri Levante, na Itália e, em 1995, fez parte da seleção “Um Século de Cinema”, do Festival de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, na França, onde foram exibidos 100 curtas que fizeram a história do cinema.
Onde a Coruja Dorme
Dirigido por Simplício Neto e Márcia Derraik (2012), Brasil. 51 min.
Bezerra da Silva, sambista de grande sucesso nacional, tem sua origem nordestina muito pouco conhecida. Nascido no Recife, no ano de 1927, ele inicia sua carreira referenciado nas suas raízes, nos dois discos “Bezerra da Silva, o Rei do Côco”. Mas é com o samba que ele alcança grande projeção e sucesso, através de canções bem humoradas sobre a malandragem e a favela.
No entanto, é pouco destacado que um dos motivos do sucesso de Bezerra é a sua equipe de compositores – pedreiros, trocadores de ônibus, carteiros, técnicos de refrigeração e biscateiros em geral. Trabalhadores anônimos que cantam como ninguém o universo da malandragem carioca. Sambistas genuínos, escolhidos a dedo “Onde a Coruja Dorme”.
18/04/2026
Carioca, Suburbano, Mulato e Malandro
Dirigido por Jom Tob Azulay (1979), Brasil, 13 min.
O curta conta um pouco do dia a dia do sambista João Nogueira. Andando pela cidade, fazendo uma “fezinha”, bebericando uma cerveja e cantando samba em uma roda no seu quintal. Somos apresentados nessa caminhada para um pedaço do universo do samba carioca, com a companhia de um dos seus maiores nomes.
Natal da Portela
Dirigido por Paulo Saraceni (1988), Brasil. 100 min.
Reza a lenda que a história da Escola de Samba Portela se iniciou no quintal da casa de Napoleão José do Nascimento, local de encontro de sambistas durante a década de 20. Esse é o ponto de partida de “Natal da Portela”, que conta a história do filho de Napoleão, o “Seu Natal da Portela”. Após se tornar um banqueiro do bicho, Natal não somente torna-se o patrocinador principal da Portela, como também atua ativamente para ajudar o povo de sua comunidade, financiando orfanatos, hospitais, asfaltar diversas ruas da região e, é claro, ajudar o Madureira, seu time de coração. Natal é um dos personagens que marcam a entrada do dinheiro do jogo de bicho nas agremiações de carnaval. Figura respeitada e polêmica do subúrbio do Rio de Janeiro, a ele foram dedicadas diversas composições que demonstram seu peso na história do carnaval do Rio de Janeiro.
25/04/2026
Noitada de Samba
Dirigido por Carlos Tourinho e Clóvis Scarpino (1977), Brasil. 13 min.
O curta metragem resgata um pouco da história do projeto “Noitada de Samba”, projeto idealizado por Jorge Coutinho e Leonides Bayer. Ambientado no Teatro Opinião, em plena zona sul carioca, o projeto foi um marco na cultura brasileira. Neste curta a história é apresentada por depoimentos e apresentações de nomes como Alcione, Beth Carvalho, Dona Yvone Lara, Eliana Pittman, Elton Medeiros, Gilberto Braga, Martinho da Vila, Maurício Sherman, e outros.
Noitada de Samba – Foco de Resistência
Dirigido por Cély Leal (2010), Brasil. 75 min.
Continuando nossa homenagem ao histórico “Noitada de Samba” do Opinião, trazemos para a programação o longa metragem de Cély Leal. Com início em 1971, foram 617 espetáculos em 13 anos com o histórico espaço do teatro sendo semanalmente tomado por uma eufórica plateia, que se deslocava de todos os cantos da cidade do Rio de Janeiro para ouvir os maiores nomes do samba da época que ali se apresentavam. Praticamente sem registro na bibliografia recente sobre a história da música brasileira, ali se reuniram nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Martinho da Vila, Rosinha Valença, Moreira da Silva, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Beth Carvalho, Xangô da Mangueira, Elza Soares, entre tantos outros.
02/05/2026
Conversa de Botequim (com João da Baiana)
Dirigido por Luiz Carlos Lacerda (1972), Brasil. 10 min.
Um dos nomes mais importantes da nossa música, João da Baiana é personagem central deste documentário. Aqui ele aparece tocando pandeiro, caminhando pelas ruas do Rio e conversando no Bar Gouveia com os inseparáveis Pixinguinha e Donga – considerados por Martinho da Vila como a Santíssima Trindade da Música Popular Brasileira.
Aldir Blanc – Dois pra lá, dois pra cá
Dirigido por Alexandre Ribeiro de Carvalho, André Sampaio e José Roberto de Morais (2004), Brasil. 54 min
Compositor, cronista e poeta, Aldir Blanc é, antes de tudo, um letrista do subúrbio carioca. Nascido no Estácio, Aldir passou parte de sua infância em Vila Isabel e adotou a Tijuca como sua moradia por longos anos. Nesses bairros conheceu a boemia, bares, mulheres, futebol e o Salgueiro (sua escola de coração).
Através de imagens de arquivo, entrevistas com o compositor e depoimento de parceiros, “Dois Pra Lá, Dois Pra Cá” busca apresentar quatro décadas de militância do letrista em defesa da cultura, do Rio de Janeiro e do Brasil. Os encontros musicais do chamado Movimento Artístico Universitário (M.A.U.), sua vida, amigos, as relações com a censura no período da ditadura militar e a atuação de Aldir Blanc na luta pelos direitos autorais. O filme registra ainda a participação do músico e poeta na imprensa, especialmente no semanário Pasquim, levado pelo amigo Henfil e no Jornal Hora do Povo.










