“Ninguém vai abaixar a cabeça para outra nação”, diz João Campos sobre ofensiva contra o Pix

Ex-prefeito de Recife, João Campos - Foto: Edson Holanda/Divulgação

Depois que o governo dos EUA classificou o Pix como prática prejudicial às operadoras americanas de cartões, gerando tensão diplomática com o Brasil. João Campos (PSB), ex-prefeito de Recife e pré-candidato ao governo de Pernambuco defendeu a soberania brasileira e criticou a medida como motivada politicamente pelos EUA.

O avanço da ofensiva tarifária de Donald Trump contra o avanço institucional do Pix é classificado por Washington como prática prejudicial às operadoras norte-americanas de cartões. A iniciativa americana ocorre em decorrência da influência de Flávio Bolsonaro, e pode reforçar a união de setores produtivos e políticos contra pressões externas.

João Campos durante viagem a Lisboa, capital portuguesa, que o movimento do governo estadunidense expõe uma severa contradição diplomática.

“Primeiro eu quero parabenizar a atuação do vice-presidente Geraldo Alckmin, que é do meu partido, que sempre esteve ao longo desse processo, ao lado do presidente Lula, que é quem coordena os trabalhos, e é preciso separar o que é bom senso, o que é construção técnica e o que é contraponto político… Então, em certa maneira, parece uma ação desmedida, onde ela nasceu de uma motivação explícita política pelos EUA, e sem nenhuma construção técnica… O Brasil é uma verdadeira potência econômica e tem relação comercial de muitos e muitos anos com diversos países, incluindo os EUA, e o que me preocupa só é você construir barganha política com o governo americano em torno de uma economia tão equilibrada e tão importante como é a economia brasileira, e diante de um cenário de muita instabilidade. Então, há uma discordância frontal, mas a preocupação central é com as questões soberanas do país, porque olhando de forma rápida num primeiro momento você vê que o relatório faz inúmeras menções ao Pix… Então você vê que não é nem algo implícito, é algo explícito e com a intenção de atacar conquistas brasileiras, e então nós precisamos ter muito equilíbrio e muita altivez… Ninguém vai abaixar a cabeça para nenhuma outra nação, é preciso ter equilíbrio e altivez defendendo os interesses do Brasil, e todo o interesse do povo brasileiro tem que ser defendido… E se necessário for, ser combatido com medidas que não são adequadas e não fazem bem ao Brasil”, disse Campos.

A investida de Washington ocorre em um momento em que a oposição liderada pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro enfrenta forte desgaste político devido aos desdobramentos de investigações do caso Master, do ex-banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, que deu ao filho do ex-presidente pelo menos R$ 61 milhões. 

Longe de isolar o Palácio do Planalto, o protecionismo norte-americano baseado em retaliações ao Pix deve asfixiar as pretensões eleitorais da ala radical, unificando setores produtivos e a classe política na defesa da soberania tecnológica e financeira do país.

Enquanto a oposição tenta capitalizar o tensionamento, o governo federal articula medidas de reciprocidade e salvaguardas macroeconômicas. O Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já alinham uma estratégia de defesa comercial para blindar o setor industrial nacional antes do término do prazo legal de consultas públicas do USTR, fixado para o dia 15 de julho. 

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