“Somos muito grandes e o Brasil é dono de seu nariz. Não aceitamos o que EUA fez com o país, diz Lula

Lula critica tarifas dos EUA em reunião ministerial (Foto: reprodução Planalto)

“Isso aqui é um país democrático e soberano. E por conta dessa soberania faremos tudo que for necessário. Não cederemos”, destacou o presidente na abertura da reunião ministerial

O presidente Lula deixou claro nesta quarta-feira (3) que o Brasil não pode aceitar o tratamento dispensado pelos Estados Unidos. “Nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deu ao Brasil nesta semana”, declarou o presidente na abertura da reunião ministerial no Palácio do Planalto.

“Esse Marco Rúbio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, é um latino-americano frustrado”, acrescentou Lula. Na terça-feira. Marco Rubio, conhecido por “Narco” Rubio, por suas ligações com a máfia cubana, tentou criar intrigas contra o Brasil dizendo que o país não está alinhado e não é amigável aos EUA.

“Na última reunião, quando eu estive lá […] tivemos uma conversa com o Trump de três horas, e entregamos os assuntos que o Brasil quer discutir. Na hora da relação comercial, houve uma divergência entre o meu ministro e o ministro do comércio deles, eu propus ao Trump: ‘Já que não tem acordo entre os dois ministros, vamos dar trinta dias para que eles se entendam'”, lembrou o presidente.

Lula relatou ter dito a Trump que, se estiver errado, não tem problema em voltar atrás. Mas, caso contrário, o norte-americano teria que recuar. Esse prazo de um mês ainda não terminou, segundo Lula. “Não se concluiu nada. Por isso, a nossa surpresa com a decisão de mais um comunicado, de mais uma taxação com relação ao Brasil”, prosseguiu.

“Nós estamos muito tranquilos. Eu falo sempre: não quero guerra com os Estados Unidos, com a China, com a Bolívia, com o Uruguai. Quero provar que somente é possível a gente viver em paz se a gente fortalecer a democracia, o multilateralismo e se a gente tratar com responsabilidade a relação entre chefes de Estados”, afirmou.

Lula destacou ainda que entregou pessoalmente a Trump quatro documentos “muito importantes sobre a relação com o Brasil”. Os papéis traziam relatos do governo sobre temas como combate a facções criminosas, exploração de terras raras e sobre a guerra no Irã.

“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles de ontem, e a de antes de ontem”, afirmou o presidente.

Na área comercial, Lula disse que o Brasil não deve se lamentar diante dos obstáculos criados pelos Estados Unidos. “Se os Estados Unidos querem problema, eles têm o direito. Agora, não vamos ficar chorando. Vamos procurar outros parceiros. Se eles não querem comprar, a gente vai vender para quem quiser. A gente não vai ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, vamos procurar outro”, afirmou.

Lula também afirmou que enviará uma carta ao presidente americano, Donald Trump. E disse que o secretário de Estado do país, o descendente de cubanos Marco Rubio, é um “latino-americano frustrado”.

Assista a fala de Lula e a reunião ministerial

“O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano. E por conta dessa soberania faremos tudo que for necessário. Não cederemos. Quem quiser explorar terras raras aqui vai ter que falar com o governo brasileiro. Quem quiser explorar minerais críticos que vai ter conversar com o governo brasileiro”, disse.

Lula também afirmou que o país não aceitará mais uma postura subalterna “Resolvemos que este país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Não somos melhores do que ninguém, mas também não somos melhores. Queremos respeitar todo mundo, mas também queremos respeito. É assim que a gente vai continuar tratando esse país”, declarou.

Em outro trecho, o presidente orientou seus ministros a denunciar o que classificou como tentativa de trair o Brasil por interesses eleitorais. “E vocês, ministros, não podem deixar de dizer isso em alto e bom som: estão tentando trair o Brasil por interesses mesquinhos, rasteiros, de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, que é capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos”, afirmou.

Os EUA seguiram com as provocações ao Brasil. Após a conclusão da investigação da seção 301 que redundou no novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) divulgou na madrugada desta quarta uma nova análise que também inclui o Brasil.

Trata-se do caso investigado sobre o suposto uso de trabalho forçado por 59 países e a União Europeia. A tarifa aplicada nesse caso será de 12,5%. Certamente o Brasil é um país muito mais rigoroso com o trabalho forçado do que os próprios Estados Unidos que usam imigrantes ilegais na agricultura em condições de semiescravidão. Portanto, mais esta decisão contra o Brasil não passa de mais uma provocação.

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