Com vetos da China e da Rússia, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitou nesta terça-feira (7) uma resolução que autorizava o uso da força no Estreito de Ormuz, bloqueado em meio à agressão não provocada que o Irã vem sofrendo do eixo EUA-Israel há 37 dias.
China e Rússia, que mantêm fortes laços com os países do Golfo e com o Irã, e vêm propondo um cessar-fogo e fim da guerra, advertiram que o uso da força tornaria ainda mais difícil chegar a um entendimento diplomático, e o que é preciso é parar com a guerra.
Formalmente voltada a “liberar a navegação no Estreito de Ormuz” e apresentada pelo Bahrein, a resolução obteve 11 votos a favor, enquanto Paquistão e Colômbia se abstiveram. A resolução, cuja votação havia sido adiada na semana passada, recebera alguns remendos após a oposição da China, Rússia e França.
Comentando a resolução na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, advertiu que a proposta buscava “ou sabotar negociações, ou legitimar retroativamente todas as agressões contra o Irã”.
Lavrov até lembrou declaração da semana passada de Trump segundo o qual, uma vez que os combates cessassem, o estreito se reabriria normalmente. E essa é, portanto, a questão fundamental, deter a guerra.
A França acabou endossando a proposta do Bahrein, após adições paliativas, como o prazo de “seis meses” e que as “medidas defensivas” adotadas pelos países que assim o desejassem seriam “proporcionais”.
Os países ou coalizão de países é que decidiriam, por conta própria, o que seriam “medidas defensivas” e de que se trataria sua “proporcionalidade” e não precisariam prestar contas ao Conselho de Segurança, em nome da “liberdade de navegação”, que é regulada pela Convenção da ONU de 1982 e não se aplica em tempos de guerra.
Lavrov lembrou – certamente se referindo à famosa resolução de 2011 que levou à destruição da Líbia pela Otan e seus jihadistas – como os países ocidentais a viraram de ponta-cabeça, manipulando-a para atender seus desígnios.
A resolução também não continha uma linha sequer sobre o fato de que o Irã é vítima de uma agressão não-provocada de parte dos EUA-Israel, enquanto acusava o Irã, que só faz exercer seu direito de defesa, de retaliar sobre as bases e interesses norte-americanos no Golfo.
E como os países do Golfo não pretendem, eles próprios, exercerem essas “medidas”, logicamente estariam abdicando de sua soberania, outorgada aos “países dispostos”.
A votação ocorreu ainda em um dia marcante na guerra, com o prazo [mais um] do ultimato de Trump supostamente se encerrando, ataque americano-israelense à ilha de Kargh e declaração do sociopata de plantão na Casa Branca ameaçando a civilização persa de “destruição esta noite” se não capitular.











