Decisão favorável a Gleisi Hoffmann reforça limites legais à violência de gênero na política e atinge um dos parlamentares mais ruidosos do bolsonarismo
A Justiça condenou o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) a pagar indenização por danos morais à também deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), após declarações consideradas misóginas. As ofensas incluíram também insinuações difamantes de cunho sexual envolvendo o marido da parlamentar, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
Segundo a decisão da 6ª Turma Cível do TJDFT, Gayer deverá pagar indenização de R$ 10 mil a cada um dos autores da ação, totalizando R$ 20 mil, além de fazer retratação pública em suas redes sociais. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 30 mil.
O desembargador Alfeu Machado concluiu que as publicações feitas por Gayer extrapolaram os limites da crítica política e configuraram “ofensas pessoais, misóginas e humilhantes”, sem relação com o exercício do mandato parlamentar. publicidade.
Em março de 2025, Gustavo Gayer publicou, no X, vídeo em que insinuava de forma extremamente ofensiva que o presidente Lula (PT) estaria “oferecendo” a então ministra das Relações Institucionais a líderes do Congresso, numa comparação infame com a atuação de cafetão.
Os parlamentares comemoraram a decisão e numa postagem nesta quinta-feira (9) escreveram que a postagem de Gayer “não é opinião, é crime”.
Na publicação, Gleisi afirmou que a decisão vai além de uma vitória individual. “É um recado claro: mulher não pode ser alvo de machismo e violência política”, disse. “Vamos seguir em frente e não vamos permitir que o machismo, a misoginia continue nesse país”.
MISOGINIA COMO ESTRATÉGIA POLÍTICA
A condenação lança luz sobre padrão recorrente no comportamento do bolsonarismo, nos quais o ataque pessoal, a desinformação e a retórica agressiva ocupam o centro da atuação política.
Gayer se tornou conhecido exatamente por esse estilo: declarações incendiárias, confrontos nas redes digitais e reiteradas controvérsias. Isto, por um lado.
A decisão judicial reforça entendimento já consolidado: a imunidade parlamentar não é salvo-conduto para ofensas.
Embora deputados tenham liberdade para opinar e criticar, essa prerrogativa encontra limites quando há violação de direitos individuais.
Ao condenar Gayer, a Justiça reafirma que o mandato não pode ser escudo para práticas abusivas. Especialmente quando envolvem discriminação de gênero.
CUSTO DA RETÓRICA DO ÓDIO
O episódio também evidencia os custos institucionais de política baseada no confronto permanente.
Ao substituir o debate público por ataques pessoais, parlamentares, em particular os bolsonaristas, contribuem para a deterioração do ambiente democrático e para a normalização da violência simbólica.
No caso de Gayer, a condenação não surge como fato isolado, mas como consequência de trajetória marcada por declarações polêmicas e frequentemente contestadas pelo conteúdo.











