Milhares de trabalhadores ocupam Brasília desde as primeiras horas desta quarta-feira (15) na Marcha da Classe Trabalhadora, organizada pelas centrais sindicais, que, entre outras demandas, exige o fim da escala 6×1, com redução da jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais; a queda imediata dos juros e geração empregos decentes com desenvolvimento produtivo, valorização do salário, fortalecimento e autorregulação dos sindicatos; regulamentação do trabalho em plataformas digitais, o combate à pejotização e a luta contra o feminicídio.
Essas pautas fazem parte das reivindicações aprovadas na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat 2026), ocorrida hoje pela manhã, prevista para serem entregues ainda hoje ao presidente Lula e autoridades do Congresso Nacional e da Justiça.
“Chegamos até aqui graças à unidade das centrais sindicais, que fortalece nossa luta e amplia nossa capacidade de conquista”, destacou o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, que considera o ato um momento “histórico”. Segundo Torres, o movimento sindical já avançou em muitas pautas, mas “é preciso reforçar esse projeto de país baseado em empregos, direitos, democracia, soberania e vida digna para todos”.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, ressaltou que a luta das centrais sindicais “é por um país mais justo, com desenvolvimento, inclusão social e valorização do trabalho”.
“Precisamos avançar com urgência na redução da jornada, sem redução salarial, garantindo mais qualidade de vida, geração de empregos e distribuição de renda. Essa é uma pauta estratégica para o presente e o futuro do país”, afirmou Nobre.
“Esta atividade simboliza a união das entidades sindicais e a continuidade da mobilização pela valorização do trabalho, ampliação de direitos e construção de um projeto de desenvolvimento com justiça social”, afirmou o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
Para o vice-presidente da CTB, Ubiraci Dantas, o fim da escala 6×1 “é importante para que os trabalhadores e trabalhadoras tenham o direito a viver com dignidade”. Bira reforçou ainda: “também queremos a redução da taxa de juros, acabar com o arcabouço fiscal e aumentar os investimentos públicos para que o Brasil possa se desenvolver”.

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), alertou que a escala de trabalho 6×1 “penaliza os trabalhadores”. “Ao mesmo tempo, precisamos conscientizar toda a sociedade sobre a importância dessa luta por condições dignas de trabalho”, disse o sindicalista.
“A classe trabalhadora quer avançar, conquistar mais direitos e garantir melhores condições de vida. Escala 6×1 é não! Essa é uma luta justa, necessária e urgente para assegurar dignidade, saúde e equilíbrio entre trabalho e vida para milhões de brasileiros”, salientou o presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto.
A presidente da Nova Central, Sônia Maria Zerino da Silva, enalteceu os trabalhadores e sua luta, afirmando: “expressamos nosso agradecimento aos trabalhadores e trabalhadoras que seguem firmes, organizados e unidos na luta por justiça social, melhores condições de vida e fortalecimento da democracia”.
Já a vice-presidente da CUT Nacional, Juvandia Moreira, “a redução da jornada é importante para toda a classe trabalhadora, mas para as mulheres que têm dupla, tripla jornada, o fim da escala 6X1 é ainda mais importante”.
“Esse tem que ser mesmo o nosso carro chefe nessa marcha, mas a gente tem que pressionar o Congresso porque os empresários estão pressionando para jogar a votação para depois da eleição, para nunca aprovar. Porque é isso que eles querem, jogar para depois para não ter mais a pressão popular, não ter obrigação de se posicionar a favor da classe trabalhadora. Então isso a gente não pode aceitar, por isso que essa marcha é tão importante”, defendeu Juvandia.

Nilza Pereira, secretária-geral da Intersindical, ressaltou que os trabalhadores já conquistaram “avanços importantes, como a redução do Imposto de Renda, e agora seguimos mobilizados pela redução da jornada de trabalho, sem redução salarial”.
José Gozze, presidente da Pública Central do Servidor destacou em sua fala, que “é fundamental regulamentar a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho, garantindo o direito de greve e a negociação coletiva dos servidores”.
“Estamos aqui em Brasília para afirmar a luta em defesa do emprego, da soberania, da democracia e da vida digna para a classe trabalhadora, e a principal desse momento é pela redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1, que aprisiona milhares de trabalhadores e trabalhadoras em todo o Brasil”, afirmou o presidente da CTB-SP, Rene Vicente.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, disse que “hoje é um dia histórico de luta”.











