Apenas 20% apoiam e desses os bolsonaristas são a maior parte
Pesquisa do Datafolha mostra que a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã enfrenta rejeição expressiva no Brasil.
Segundo o levantamento, 70% dos entrevistados são contrários ao conflito, enquanto só 20% manifestam apoio. Desses, a maioria se identificam com Trump e Bolsonaro
Outros 7% não souberam opinar e 3% se disseram indiferentes.
Realizada entre os dias 7 e 9, a pesquisa captou a opinião pública em meio a cenário internacional instável, marcado por cessar-fogo frágil. O nível de informação é elevado: 94% afirmam ter conhecimento sobre a crise.
DIFERENÇAS SOCIAIS E DEMOGRÁFICAS
Embora a rejeição seja majoritária, o apoio à guerra varia entre grupos. Homens demonstram maior adesão (29%) do que mulheres (12%), entre as quais a rejeição atinge 78%.
O recorte socioeconômico também revela diferenças: o apoio é menor entre os mais pobres e menos escolarizados, enquanto cresce entre pessoas com ensino superior e os mais ricos.
Segmentos religiosos específicos, como evangélicos, também apresentam índices acima da média de aprovação.
IMPACTO
O dado mais consensual da pesquisa não é geopolítico, mas econômico. Para 92% dos entrevistados, a guerra afeta os preços dos alimentos.
Além disso, 87% acreditam em impactos negativos sobre a economia como um todo, e 84% avaliam que o Brasil sofrerá consequências diretas.
A percepção está associada, sobretudo, à instabilidade no mercado de energia. Tensões em rotas estratégicas, como o Estreito de Hormuz, pressionam petróleo e gás, com potencial efeito inflacionário global.
REFLEXOS NO CENÁRIO POLÍTICO
A crise internacional também é vista como fator de influência doméstica.
Há 3 em cada 4 brasileiros (75%) que acreditam que o conflito pode afetar as eleições, indicando que o tema ultrapassa a política externa e entra no cálculo político interno.
POLARIZAÇÃO MOLDA PERCEPÇÕES
O levantamento evidencia ainda que a leitura do conflito no Brasil segue linhas de polarização política.
Entre apoiadores de Jair Bolsonaro, que está preso por ter liderado tentativa de golpe de Estado, o apoio à guerra é significativamente maior do que a média geral, especialmente entre eleitores alinhados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
Entre eleitores do presidente Lula (PT), a rejeição é amplamente dominante, alcançando 85%. A divisão também aparece na percepção de impacto: eleitores de diferentes campos políticos divergem sobre a intensidade dos efeitos do conflito no País.











