Brasileiros rejeitam agressão de EUA e Israel ao Irã: 70% contra, diz Datafolha

Bárbaro ataque dos EUA e de Israel contra uma escola feminina, em Minab, que matou dezenas de meninas (Foto: Alex Mita – Irib TV - AFP)

Apenas 20% apoiam e desses os bolsonaristas são a maior parte

Pesquisa do Datafolha mostra que a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã enfrenta rejeição expressiva no Brasil.

Segundo o levantamento, 70% dos entrevistados são contrários ao conflito, enquanto só 20% manifestam apoio. Desses, a maioria se identificam com Trump e Bolsonaro

Outros 7% não souberam opinar e 3% se disseram indiferentes.

Realizada entre os dias 7 e 9, a pesquisa captou a opinião pública em meio a cenário internacional instável, marcado por cessar-fogo frágil. O nível de informação é elevado: 94% afirmam ter conhecimento sobre a crise.

DIFERENÇAS SOCIAIS E DEMOGRÁFICAS

Embora a rejeição seja majoritária, o apoio à guerra varia entre grupos. Homens demonstram maior adesão (29%) do que mulheres (12%), entre as quais a rejeição atinge 78%.

O recorte socioeconômico também revela diferenças: o apoio é menor entre os mais pobres e menos escolarizados, enquanto cresce entre pessoas com ensino superior e os mais ricos.

Segmentos religiosos específicos, como evangélicos, também apresentam índices acima da média de aprovação.

IMPACTO

O dado mais consensual da pesquisa não é geopolítico, mas econômico. Para 92% dos entrevistados, a guerra afeta os preços dos alimentos.

Além disso, 87% acreditam em impactos negativos sobre a economia como um todo, e 84% avaliam que o Brasil sofrerá consequências diretas.

A percepção está associada, sobretudo, à instabilidade no mercado de energia. Tensões em rotas estratégicas, como o Estreito de Hormuz, pressionam petróleo e gás, com potencial efeito inflacionário global.

REFLEXOS NO CENÁRIO POLÍTICO

A crise internacional também é vista como fator de influência doméstica.

Há 3 em cada 4 brasileiros (75%) que acreditam que o conflito pode afetar as eleições, indicando que o tema ultrapassa a política externa e entra no cálculo político interno.

POLARIZAÇÃO MOLDA PERCEPÇÕES

O levantamento evidencia ainda que a leitura do conflito no Brasil segue linhas de polarização política.

Entre apoiadores de Jair Bolsonaro, que está preso por ter liderado tentativa de golpe de Estado, o apoio à guerra é significativamente maior do que a média geral, especialmente entre eleitores alinhados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

Entre eleitores do presidente Lula (PT), a rejeição é amplamente dominante, alcançando 85%. A divisão também aparece na percepção de impacto: eleitores de diferentes campos políticos divergem sobre a intensidade dos efeitos do conflito no País.

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