Primeiro vereador negro de São Paulo, educador e poeta completaria 100 anos em 2026, com celebração marcada para 15 de maio na Câmara Municipal
Foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo na última sexta-feira (17) o decreto nº 70.552, que institui a Medalha “Professor Eduardo de Oliveira”, vinculada ao Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de São Paulo (CPDCN), da Secretaria da Justiça e Cidadania. Reinvindicação histórica dos movimentos sociais, a medalha levará o nome de um dos maiores líderes negros brasileiros, o nosso saudoso professor Eduardo de Oliveira.
A nova condecoração tem como objetivo agraciar personalidades civis e militares, brasileiras ou estrangeiras, que tenham dedicado suas vidas, talentos e esforços ao fortalecimento da comunidade negra e à promoção da justiça social. A medalha também servirá para reconhecer relevantes serviços prestados ao Estado de São Paulo e à população brasileira.
A escolha das personalidades agraciadas, assim como a entrega da honraria, será realizada pelo próprio CPDCN, em cerimônias e eventos promovidos pelo governo estadual.
Nascido em 1926, Eduardo de Oliveira foi professor, advogado, jornalista, poeta e ativista do movimento negro brasileiro. Ele é reconhecido como o primeiro vereador negro da cidade de São Paulo. Ao longo de sua trajetória, fundou e presidiu o Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB) e também ajudou a criar o Partido Pátria Livre (PPL).
Aos 16 anos, compôs o “Hino 13 de Maio”, posteriormente denominado “Hino à Negritude”, que se tornou lei federal em 2014. É autor de obras como Banzo (1965), Gestas Líricas da Negritude (1967) e Evangelho da Solidão (1970). Historiadores e ativistas o apontam como uma das figuras centrais para a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, em 2010. Eduardo de Oliveira faleceu em 2012.
CELEBRAÇÃO DO CENTENÁRIO
O CNAB realizará no dia 15 de maio, às 19h, na Câmara Municipal de São Paulo, o ato de abertura das comemorações do Centenário do Professor Eduardo de Oliveira. A data também marca os 138 anos da abolição da escravatura no Brasil.
Em seus escritos, Eduardo de Oliveira definiu o 13 de Maio como a “queda da espectral e sombria Bastilha da escravidão”. Ele concebia a data não como uma concessão, mas como resultado da luta de Zumbi dos Palmares, “um dos principais representantes da resistência negra à escravidão, líder do Quilombo dos Palmares”. Para o professor, “a própria República, e os fatos que dela decorrem, não teriam o curso que todos nós conhecemos não fosse a decretação do 13 de Maio”.
Histórico de celebrações do CNAB
Ao longo de sua história, o Congresso Nacional Afro-Brasileiro já promoveu ao menos cinco celebrações do Dia da Abolição:
- 13/05/2000 – Show no Ibirapuera com Martinho da Vila, Beth Carvalho, Luiz Carlos da Vila e Arlindo Cruz.
- 13/05/2010 – Seminário nacional “O Papel do Negro no Desenvolvimento do Brasil” na Alesp.
- 11/05/2012 – Conferência “30 Anos da Imortalidade de Luiz Gama” na Câmara Municipal de São Paulo.
- 13/05/2015 – Espetáculo de samba, capoeira e dança-teatro “O 13 de Maio e o Levante Popular pela Abolição” na Avenida Paulista.
- 13/05/2016 – Show “O CNAB e os 100 anos do Samba” na Avenida Paulista.











