Milei e sua dança vampiresca com Netanyahu

O abraço sinistro de Milei e Netanyahu (Reuters)

Convidado de honra – o único que chefe de Estado se dispôs a tal performance – o presidente fascista argentino Javier Milei dançou e cantou distribuindo risos e abraços aos criminosos de guerra israelenses com destaque para o sanguinário premiê da ocupação, Bibi Netanyahu.

A cerimônia, por ocasião dos 78 anos da criação de Israel, na época passando por cima dos lares de 500 aldeias destruídas e erigido em meio à expulsão, pelo terror, de 750 mil de seus moradores e, agora, já despojado de quaisquer disfarces de sua sanha colonial e usurpadora, e evidenciado, aos olhos do mundo, como um Estado genocida e de apartheid – um pária, enfim.

Uma “comemoração” na terça-feira (21) em plena extensão do genocídio ao Líbano, a cujo sul se promete transformar em “outra Gaza”; em meio à explicitação do “Eretz Israel Shleimá” (Terra de Israel Completa – com o máximo de usurpação possível), com mãos tintas de sangue das crianças palestinas, libanesas e sírias, levando o que puder “entre dois rios, Eufrates e Nilo”, incluindo a gana por matar iranianos, tudo fazendo lembrar a maldição do “judeu-nazi”, termo cunhado pelo professor Yeshayahu Leibowitz para se referir à Suprema Corte de Israel quando esta baixou jurisprudência legalizando a tortura de palestinos.

Milei cantou e riu, riu muito; viu nos genocidas e racistas israelenses um espelho excelente, “amigos unidos por valores morais e compartilhados”. No palco, interpretou “Libre”, uma música de Nino Bravo de um jovem em busca de liberdade, e foi aplaudido pelo próprio Netanyahu enquanto saracoteava para os fascistas israelenses.

DANÇANDO E CANTANDO NO PALCO DE HORRORES

Apenas dias depois da destruição da imagem de Cristo por um soldado da ocupação no sul do Líbano, acendeu uma das 12 tochas que representariam as tribos bíblicas da antiga Israel. Míster em que foi acompanhado, entre outros, pelo rabino Avraham Zarbiv, que fez fama com vídeos de sua participação na demolição de casas em Gaza.

“Você não terá mais nada”, o rabino declara em uma narração, enquanto a câmera percorre uma paisagem de prédios destruídos. “Vamos te destruir e arrasar tudo”

A repulsiva escolha de um religioso endemoniado como Zarbiv para a cerimônia marca um endosso oficial à desumanização dos palestinos e à destruição sistemática da vida palestina, denunciou o grupo de direitos humanos B’tselem. “Esta seleção envia uma mensagem clara aos cidadãos de Israel e ao mundo inteiro – em Israel, genocídio, limpeza étnica e crimes de guerra são o ‘espírito da nação’.”

A ministra do gabinete Miriam Regev revelou que escolheu Zarbiv para a efeméride por sua liderança duplamente “inspiradora” como rabino e soldado, “entre o livro e a espada”.

Na véspera, o presidente argentino recebeu a Medalha de Honra Presidencial das mãos do presidente israelense, Isaac Herzog, em cerimônia realizada na residência oficial em Jerusalém, com direito a tapete vermelho e execução dos hinos nacionais.

A distinção foi entregue em reconhecimento ao apoio “constante e firme” de Milei a Israel, cujo premiê é investigado na Corte Internacional de Justiça por genocídio e repudiado no mundo inteiro por suas agressões contra Irã, Líbano e territórios palestinos, com madado de prisão expedido pela Corte de Haia..

Em seu discurso, Milei voltou a defender uma aliança “incondicional e sem questionamentos” com Israel e saudou o retorno da Argentina “aos valores judaico-cristãos”. “Argentina e Israel representam, cada um do seu lugar, uma mesma causa: manter viva a chama da liberdade num mundo incerto”, declarou o cúmplice de Netanyahu e Trump.

CARRUAGEM VIRA ABÓBORA

De volta à Argentina, Milei retomou seu desatino de praxe que, entre outras coisas, levou, no país da carne de boi farta, os pobres a terem de comer carne de burro, como revelaram as notícias. A economia da Argentina se contraiu drasticamente em fevereiro e registrou sua maior queda mensal desde 2023, enquanto os setores varejista e manufatureiro continuam à míngua.

A atividade econômica caiu 2,6% em relação a janeiro, muito abaixo da queda de 0,5% prevista pela Bloomberg Economics, segundo dados oficiais publicados na quarta-feira. Em termos anuais, o indicador recuou 2,1%, o que contrasta com a mediana das estimativas, que era de alta de 0,5%. Em janeiro, a economia havia crescido 0,4%.

Conforme pesquisa da AtlasIntel, a reprovação do governo Milei já chega a 60%, em razão da alta na pobreza e desemprego e ao arrocho salarial.“Sabemos que os últimos meses têm sido difíceis”, escreveu Milei no X, pedindo “paciência”. Este é o caminho correto, asseverou. “Mudá-lo seria destruir o que foi conquistado”. As más notícias não param: ontem a multinacional Whirpool, dona das marcas Brastemp e Consul, anunciou o fechamento da fábrica em Pilar, na Grande Buenos Aires, e transferência das linhas de produção para a unidade de Rio Claro, em São Paulo.

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