Por unanimidade, a Primeira Turma seguiu voto de Flávio Dino e abre ação penal contra o deputado bolsonarista
A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, por unanimidade, nesta terça-feira (28), tornar o deputado federal bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO) réu pelo crime de injúria contra o presidente Lula (PT).
Os ministros acolheram a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), pois entenderam haver elementos suficientes para a abertura de ação penal.
O julgamento seguiu o voto do relator, Flávio Dino, acompanhado por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
IMAGEM FALSA E CONTEXTO DA ACUSAÇÃO
A denúncia tem como base a publicação, em 2024, de imagem manipulada que associava Lula ao grupo Hamas e ao nazismo. Na montagem, o presidente aparecia com vestimenta militar e símbolo nazista; conteúdo produzido com uso de inteligência artificial.
Para a PGR, a postagem ultrapassou os limites da crítica política e atingiu diretamente a honra do chefe do Executivo, configurando injúria.
IA, DESINFORMAÇÃO E IMUNIDADE PARLAMENTAR
No voto, Flávio Dino destacou que o uso de inteligência artificial para fabricar conteúdos falsos agrava a conduta e não pode ser protegido pela chamada “imunidade parlamentar”.
Segundo o ministro, a manipulação digital de imagens e vozes representa risco concreto ao debate público e à integridade das instituições.
A posição da Turma reforça entendimento crescente no STF de que a liberdade de expressão — embora ampla — não abrange práticas deliberadas de desinformação com potencial de dano à honra.
REAÇÃO INSTITUCIONAL E INVESTIGAÇÃO
Após a publicação da imagem, a AGU (Advocacia-Geral da União) solicitou a remoção do conteúdo e acionou o Ministério da Justiça. Na sequência, a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar os fatos.
A resposta institucional rápida evidencia a preocupação do Estado com o uso político de conteúdos falsificados, especialmente quando direcionados a autoridades públicas.
DEFESA E ANDAMENTO DO PROCESSO
Durante a tramitação da ação, a PGR chegou a propor a suspensão do processo, mas a defesa do parlamentar não compareceu. Na sessão que resultou na abertura da ação penal, Gayer também não apresentou advogado constituído.
Com a decisão, o deputado passa à condição de réu e o processo entra na fase de instrução, com coleta de provas e oitivas.
Ao final, o STF decidirá sobre eventual condenação ou absolvição.
SINALIZAÇÃO DA CORTE
O caso projeta efeitos que vão além das partes envolvidas. Ao admitir a denúncia, o STF reforça marco: o uso de inteligência artificial para produzir e difundir conteúdo falso, com intuito ofensivo, pode gerar responsabilização penal. Inclusive para agentes políticos.
A decisão também delimita, de forma mais nítida, os contornos entre liberdade de expressão, crítica política e abuso no ambiente digital, em contexto de crescente sofisticação das ferramentas de manipulação de conteúdo.











