Multidão no 1º de Maio em Havana mostra unidade contra bloqueio e ameaças de invasão por Trump

Marcha em frente à Embaixada dos EUA repudiou as ameaças de Trump (Granma)

Cubanos condenaram o recrudescimento do bloqueio imposto pelos EUA e reafirmaram, ao lado do presidente Miguel Díaz-Canel e do líder Raúl Castro, a determinação de resistir às ameaças de Washington e seguir na construção de uma pátria soberana e socialista

Um gigantesco desfile sacudiu as ruas de Havana neste 1º de Maio (sexta-feira) para “defender a pátria e a revolução” e repudiar o recrudescimento do “bloqueio genocida” imposto pelo governo dos Estados Unidos. Com faixas e cartazes denunciando a política criminosa de Trump, em meio a tensões crescentes de Washington, mais de meio milhão de cubanos marcharam em frente à Embaixada norte-americana e rechaçaram as tentativas de agressão militar.

À frente da marcha se encontravam o líder revolucionário Raúl Castro, de 94 anos, e o presidente Miguel Díaz-Canel, que conclamou os cubanos a se mobilizarem contra a política de asfixia e “as ameaças flagrantes” perpetradas contra a ilha caribenha.

Com o mesmo compromisso, centenas de milhares ocuparam as praças e avenidas de cidades como Santiago de Cuba, Holguín, Cienfuegos, Matanzas e Pinar del Rio, para protestar contra o desumano embargo em vigor a partir de 1962, agravado pelo bloqueio petrolífero imposto a partir de janeiro, desde quando chegou um único petroleiro russo, impondo apagões a residências, escolas e hospitais.

“TEMOS A RESPONSABILIDADE DE NOS REINVENTAR”

Representando os trabalhadores da Indústria Química, Yolaidis Hernández Valdés rechaçou o “bloqueio econômico, comercial, financeiro e energético intensificado” pelo governo dos EUA e agravado pela ordem executiva de janeiro de 2026. “Não vamos parar. Temos a responsabilidade de nos reinventar para crescer. Quando transformamos complexidades em oportunidades, construímos nossa nação, fazemos revolução”, acrescentou.

Hernández Valdés prestou uma homenagem ao legado do centenário do comandante Fidel Castro no seu centenário, reforçando sua responsabilidade de “ser um povo cada vez mais solidário, internacionalista, anti-imperialista e pacífico”. “Fidel continua a nos convocar a resistir e a superar. Nas circunstâncias mais difíceis, nunca houve, nem jamais haverá, uma tarefa impossível”, sublinhou.

Em sua intervenção na Tribuna Anti-imperialista o presidente da Comissão Organizadora do 22º Congresso da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC), Osnay Miguel Colina Rodríguez, ressaltou a firmeza do povo de José Martí e Fidel frente ao adversário.

“Nossos inimigos tentaram de tudo. Pensaram que nos veriam aflitos, rendidos, e aqui estamos nós, determinados e firmes, com o pé no estribo e lutando”, declarou Osnay, comemorando a resposta contundente de todo um povo. “Há Cuba socialista e sem rendição nem esquecimento da história, sem traição à glória vivenciada”, disse.

“ENVIAMOS MÉDICOS ONDE OUTROS ENVIAM BOMBAS”

“Em meio a essa tempestade, Cuba, uma ilha de resistência, continua a ser um farol moral, sem exércitos para invadir, sem algoritmos digitais para mentir. Este país enviou médicos onde outros enviam bombas, ofereceu alfabetização onde outros impõem o analfabetismo funcional e compartilhou o pouco que tem onde outros acumulam riquezas. Nossa maior arma não é um míssil, mas a certeza de que outro mundo, melhor, é possível”, ressaltou Osnay.

O líder da CTC recordou que o bloqueio dos EUA “atingiu níveis sem precedentes nos últimos anos” e afirmou que “o rosto humano da asfixia constitui a maior acusação desse crime. Para dizer de forma clara e denunciá-lo de qualquer plataforma, trata-se de uma punição coletiva implacável”.

Apesar das limitações, Osnay  enfatizou: “Diante de todas as previsões desta máquina de guerra, diante de tantas limitações que buscam nos sufocar e nos forçar à rendição, diante de ameaças irracionais de guerra e morte, este 1º de maio confirma que estamos aqui, que não apenas resistimos, mas também criamos, crescemos e triunfamos diante da adversidade. Cada dia que passa é uma vitória para Cuba, uma vitória para a paz”.

O evento reuniu 827 amigos de Cuba de 38 países e 152 organizações sindicais e de solidariedade de todo o mundo, juntamente com heróis trabalhistas, fundadores da Central Sindical dos Trabalhadores de Cuba e membros do corpo diplomático credenciados na ilha.

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