Depósito em Caldas Novas é o maior em recursos estimados de terras raras no Brasil: 3,5 milhões de toneladas de minério
A multinacional australiana Power Minerals concluiu a compra da Mineração Terras Raras S.A., empresa detentora do projeto de terras raras Morro do Ferro, localizado no Complexo de Poços de Caldas de Minas Gerais, onde há outros projetos de terras raras, como os da Meteoric e Viridis. Esta é a segunda aquisição de áreas de terras raras no Brasil, por empresas estrangeiras, em menos de dez dias.
As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a produção e desenvolvimento de tecnologias de ponta, já usados para veículos elétricos, turbinas eólicas e baterias, além de telas e diversos dispositivos eletrônicos. Para além da produção de produtos tecnológicos, esses elementos são fundamentais e estratégicos para projetos de defesa, comunicação e infraestrutura.
Apesar do nome, esses elementos não são exatamente raros na natureza, sendo o processo de extração e separação a parte mais complexa e cara. Hoje, a China concentra cerca de 40% das reservas e mais de 70% da produção mundial. O Brasil possui a segunda maior reserva global, com cerca de 19% e uma produção ainda baixa.
A área adquirida pela multinacional australiana ainda não está em operação. Segundo a Power Minerals, o depósito apresenta “concentrações especialmente altas dos elementos mais valiosos dentro do grupo”. O valor total do negócio foi de cerca de 22,5 milhões de dólares australianos (aproximadamente 16 milhões de dólares americanos). Uma parte será paga em dinheiro ao longo de cinco anos, e outra parte, em ações da própria empresa. Quando a mina entrar em operação, a Power Minerals pagará royalties de 2,5% sobre o valor da produção.
De acordo com a Revista Minérios, o depósito, descoberto por acaso através de pesquisas em busca de urânio, hoje é o maior em recursos estimados de terras raras no Brasil: 3,5 milhões de toneladas de minério com teor médio de 3,95% de óxidos, sendo registrados neodímio, praseodimio, disprósio e térbio, que representam cerca de 90% do valor da cesta de óxidos.
“Esse é o projeto Morro do Ferro, da Mineração Terras Raras (MTR), que se destaca como o primeiro em recursos estimados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). O projeto pretende produzir 6.000 toneladas anuais de óxidos”, assinala a reportagem. “Morro do Ferro está localizado no centro da grande cratera vulcânica de Poços de Caldas (MG), que foi o foco de estudos geológicos, geofísicos e geoquímicos e que resultaram no seu desenvolvimento. Outro depósito em destaque situado no mesmo município é o projeto Caldeira, da Meteoric Resources”.
Alguns dias antes do anúncio da compra da área Morro do Ferro, a única mina de terras raras já em produção no Brasil, chamada Pela Ema, localizada em Serra Verde, no estado do Goiás, foi adquirida pela USA Rare Earth por cerca de US$ 2,8 bilhões. A operação foi financiada diretamente pelo governo dos Estados Unidos e a produção local deverá ser integralmente direcionada ao mercado americano através de contratos de longo prazo.










