Centrais Sindicais, trabalhadores, representações políticas e de movimentos sociais, como o Vida Além do Trabalho, entidades de juventude e do movimento de mulheres celebraram nesta sexta-feira, 1º de Maio, o Dia do Trabalhador. Defendendo pautas comuns como o fim da escala 6×1, redução da jornada de trabalho sem corte salarial, queda dos juros, mais empregos e defesa do desenvolvimento do país, da soberania e da democracia, as centrais realizaram as principais manifestações em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Logo pela manhã, a CTB reuniu centenas de trabalhadores na Praça Franklin Roosevelt, no Centro da capital paulista. Lembrando que a luta pela redução da jornada de trabalho é uma luta histórica da classe trabalhadora de acordo com a realidade de cada período, o presidente da CTB, Adilson Araújo, destacou a importância “do fim da escala 6×1 e redução da jornada sem redução salarial como uma reivindicação justa, para que os trabalhadores possam viver mais e melhor”.


“Devemos refletir sobre a história, e lembrar que já em 1857, 129 operárias em Nova York foram assassinadas carbonizadas. Ali já existia uma histórica luta pela redução da jornada e melhores condições de trabalho. Em 1896, essa mesma história se repetiu em Chicago, numa luta operária que também fez tremer aquela cidade com esse propósito fundamental. Em 1910, o Brasil foi tomado pelo movimento operário que fez a maior greve geral da nossa história. A gente está caminhando bem!”, refletiu o sindicalista.
“Porque o nosso lado não é o lado da Faria Lima, e sim o lado do povo. Não é de um lambe-botas do imperialismo, como Gabriel Galípolo, que só satisfaz os interesses do ‘deus’ mercado. Não podermos engolir uma taxa de juros de 14,5%. Isso é menos consumo, é menos alimento, é menos recurso para a educação e para a saúde”, ressaltou o dirigente. Também na organização do ato, esteve presente o vice-presidente nacional da CTB, Ubiraci Dantas.
O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) saudou os trabalhadores e entidades presentes e, em especial o movimento Vida Além do Trabalho, defensor da redução da jornada de trabalho, que acabou gerando um dos projetos pelo fim da escala 6×1 que tramita na Câmara dos Deputados, de autoria da deputada Érika Hilton, também presente ao ato.
“O fim da escala 6×1 é uma construção que tem trajetória, tem trajetória a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de direitos, sem redução de salários. É uma luta histórica, que ao longo do tempo foi ganhando formas diferentes. E a máxima, fim da escala 6×1, é a bandeira política que mais amplia, mais mobiliza, mais toca o coração da classe trabalhadora brasileira. Por isso, o presidente Lula acertou quando enviou um projeto de lei com urgência constitucional, dando um cheque no Congresso Nacional, para mostrar de que lado está cada deputado”, disse.
“Quem é a favor da classe trabalhadora vai votar pelo fim da escala 6×1 e quem é contra a classe trabalhadora vai fazer o que fizeram esta semana, essa vergonha, aprovando justiça para bandidos, criminosos de estimação que tentaram dar um golpe de Estado no Brasil”, disse Orlando Silva.
“Mas a nossa resposta tem que ser essa aqui, com o povo mobilizado nas ruas, defendendo os direitos dos trabalhadores e a democracia”, disse.

O presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB), Irapuan Santos, citou dados de emprego e economia para ressaltar “que o país vive uma encruzilhada” e que para mudar isso, “precisamos ter um projeto soberano de desenvolvimento”.
“Nós temos hoje 6 milhões e meio de desempregados e 38 milhões de brasileiros no subemprego. Isso significa quase 45 milhões de pessoas marginalizadas na economia. Se fosse na Europa, seria a quinta população da Europa ocidental. Isso significa o quê? Que nós do Brasil precisamos ter um projeto soberano de desenvolvimento”, disse Irapuan.
“Esses milhões de brasileiros são pessoas que não têm futuro, que não têm como educar a família, que não têm direito à saúde, não têm Previdência, não têm Carteira de Trabalho. E esse é o nosso objetivo neste ano fundamental da nossa luta, derrotar o meliante que ficou preso na Papuda e sua família de entreguistas”, afirmou.
“Nós, no Rio de Janeiro, estamos demonstrando isso. Vamos à eleição para governo do Estado e botar por terra vinte anos de entreguismo e de destruição do Estado”, afirmou Irapuan.
“Falo aqui em nome do Congresso Nacional Afro-Brasileiro no centenário do nosso fundador, professor Eduardo Oliveira, e conclamo os trabalhadores, as mulheres, os estudantes, o nosso povo, a arregaçarmos as mangas até o final dessa história”, finalizou.
Falando sobre o fim da escala 6×1, a deputada Érika Hilton (PSOL-SP) salientou: “essa escala é uma escala que rouba sonhos, rouba dignidade, rouba tempo com a família, rouba oportunidades”.

METALÚRGICOS
Celebrando o 1º de Maio com um grande encontro no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, defendeu o fim da escala 6×1, e pediu mais diálogo com os trabalhadores de todos os setores econômicos para combater a chamada pejotização. “Na prática, o trabalhador PJ segue trabalhando para alguém, mas sem os direitos da CLT”, afirmou.
Ele também defendeu a mobilização da classe trabalhadora para reeleger o presidente Lula, e exaltou a política do governo em prol dos trabalhadores, como “a lei de igualdade salarial e a valorização do salário mínimo”. Segundo ainda Torres, “o Congresso não representa os trabalhadores”.


Estiveram presentes no evento da Força Sindical, os ex-ministros Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva, Kiko Celeguim (presidente estadual do Partido dos Trabalhadores), entre outras lideranças.
Com o lema “Nossa luta transforma vidas”, a CUT promoveu o 1º de Maio no ABC Paulista, que teve início na manhã desta sexta, no paço municipal de São Bernardo do Campo (ABC), com discursos a favor da redução da jornada de trabalho.
O presidente da Central, Sérgio Nobre, reforçou o caráter histórico e de luta do 1º de Maio, lembrando que é um momento de rememorar conquistas que “nunca vieram por dádiva” e de reforçar e planejar as novas lutas.


O sindicalista falou da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1, ressaltando que “a escala 6×1 é mais do que uma escala, é discutir projeto de vida”. “O trabalhador precisa de tempo para a família, para saúde, lazer, cultura e para a sua própria formação. O trabalho é central, mas não pode impedir a vida”, disse.
Nobre também defendeu a regulamentação dos trabalhadores por aplicativos de forma a garantir direitos mínimos, cobertura previdenciária e remuneração decente à categoria.
ANA LÚCIA
THAYNAN DINIZ










