O Irã afirmou nesta segunda-feira (4), após receber uma resposta de Washington sobre seu plano de 14 pontos para encerrar a guerra, que os EUA não abandonaram seu padrão de exigências excessivas e ganância desenfreada.
Em sua coletiva de imprensa semanal, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, assinalou que Teerã havia recebido a resposta dos EUA sobre as negociações mútuas destinadas a pôr fim à guerra por meio de intermediários paquistaneses e que a estava analisando.
“A ganância habitual e as exigências excessivas dos Estados Unidos não conhecem limites. Estamos enfrentando uma parte que muda de ideia constantemente, o que complicará qualquer processo diplomático”, acrescentou o porta-voz iraniano.
No domingo, o presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou o recebimento da proposta iraniana, que comentou não conseguir imaginar que fosse “aceitável”, acrescentando depois que o Irã “ainda não pagou o suficiente”.
Ainda no domingo, a Guarda Revolucionária Iraniana enfatizou que o plano de paz do Irã é muito melhor do que uma guerra que os EUA não têm como vencer, e exigiu a suspensão do bloqueio aos portos e navios iranianos.
A nova proposta de paz do Irã inclui garantias de não agressão, retirada das tropas norte-americanas das proximidades do Irã, fim do bloqueio naval, liberação de ativos iranianos congelados, pagamento de reparações, levantamento das sanções e fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, bem como um novo mecanismo de gestão do Estreito de Ormuz.
Teerã também afirmou que, enquanto o bloqueio permanecer em vigor, não tem intenção de reabrir o Estreito de Ormuz.
Na véspera, o vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi havia ressaltado, após a entrega do plano de 14 pontos, que “a bola agora está com os EUA”.
Gharibabadi afirmou que o Irã apresentou uma proposta abrangente para pôr fim de forma permanente à agressão israelense-americana contra o país, insistindo que agora cabe aos Estados Unidos decidir se desejam um acordo ou um confronto.
“A República Islâmica do Irã apresentou seu plano ao Paquistão, mediador do conflito, com o objetivo de pôr fim definitivamente à guerra imposta. Agora, cabe aos Estados Unidos escolher entre uma solução diplomática ou a continuidade da abordagem confrontativa”, afirmou.
O porta-voz Baqai responsabilizou as autoridades norte-americanas pelo fracasso de todos os processos diplomáticos nos últimos anos. Ele reiterou que o Irã anunciará sua posição assim que chegar a uma conclusão, novamente por meio do mediador paquistanês.
De acordo com a Hispan TV, ele rejeitou as especulações da mídia sobre o chamado ‘dossiê nuclear’. “As questões relacionadas ao enriquecimento de urânio e ao urânio são pura especulação. Neste momento, não estamos falando de nada além de uma completa cessação das hostilidades”.
A guerra contra o Irã foi desencadeada pelo governo Trump, em conluio com Israel, em 28 de fevereiro, em meio a negociações em Genebra – uma blitzkrieg aérea para decapitar o governo iraniano, instalar um regime colaboracionista em Teerã, roubar o petróleo e desmantelar a resistência ao genocídio e apartheid de Israel. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei foi martirizado no bombardeio, assim como altos mandos militares iranianos, e 168 meninas de uma escola primária em Minab.
A potente e assimétrica retaliação iraniana surpreendeu os agressores, destruindo as bases dos EUA no Golfo Pérsico, devastando Israel e atingindo infraestrutura de países árabes de cujo território as agressões partiram. Em 8 de abril, com a intermediação do Paquistão, um acordo de cessar-fogo foi instalado e subsiste precariamente, dado o bloqueio naval ao Irã ordenado pelo regime Trump e o impasse nas negociações.
PROVOCAÇÃO DE TRUMP EM ORMUZ
No domingo, através de outra postagem em sua rede Truth Social, Trump voltou às provocações, anunciando uma “Operação Liberdade no Estreito de Ormuz” e sugerindo que embarcações supostamente presas no estreito poderiam vir a ser escoltadas por navios de guerra norte-americanos.
Em sua postagem Trump disse que “Países de todo o mundo, quase todos não envolvidos na disputa no Oriente Médio que ocorre de forma visível e violenta, pediram aos Estados Unidos que ajudassem a liberar seus navios, que estão presos no estreito de Ormuz, em algo com o qual não têm absolutamente nada a ver — são apenas observadores neutros e inocentes!”
“Dissemos a esses países que iremos guiar seus navios com segurança para fora dessas vias marítimas restritas, para que possam continuar com suas atividades”, escreveu.
Na semana passada, o próprio Trump havia postado que “somos como piratas”, depois de se gabar de que “tomamos a carga. Tomamos o petróleo. É um negócio muito lucrativo”, falando sobre uns poucos navios iranianos que foram por ele saqueados.
O Estreito de Ormuz estava completamente aberto há décadas e foi a guerra não provocada desencadeada por Trump e Netanyahu que acarretou seu fechamento. Pela estratégica hidrovia se escoa 20% do petróleo e gás, 30% dos fertilizantes e uma parte considerável do gás hélio para a fabricação de chips e ampliação de centros de AI, com todas as consequências para a economia mundial, para a produção de alimentos e para as cadeias globais de suprimento.
TIROS DE ADVERTÊNCIA
Na segunda-feira (4), a Hispan TV anunciou que as forças iranianas fizeram disparos de advertência perto da ilha de Jask contra um navio de guerra norte-americano, que foi forçado a se afastar.
Horas antes, o Exército iraniano ameaçou atacar qualquer navio de guerra dos EUA que se aproximar do Estreito de Ormuz e reiterou que mantém “controle total” sobre a região. Segundo o comunicado, a passagem de navios pela via marítima terá que ser coordenada com Teerã.
“Advertimos que qualquer força armada estrangeira —especialmente o agressivo Exército dos EUA— se pretender se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz será alvo e será atacada”, disse o comandante Abdolrahim Mousavi Abdollahi, do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya.
Ebrahim Azizi, chefe da comissão de segurança nacional do Parlamento iraniano, alertou, em resposta ao plano de Trump, que “qualquer interferência americana no novo regime marítimo do Estreito de Ormuz será considerada uma violação do cessar-fogo” que entrou em vigor no início de abril.
“O Estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico não serão controlados pelas postagens delirantes de Trump”, acrescentou Azizi.
Teerã também divulgou o mapa da “nova área sob gestão e controle das Forças Armadas do Irã”, delimitada por duas linhas na região do Estreito de Ormuz. Uma das linhas, a oeste da passagem, está entre a ilha iraniana de Qeshm e a costa dos Emirados Árabes Unidos a noroeste de Dubai; a outra, ao sul de Ormuz, está entre a costa norte de Omã e a costa iraniana.











