Avibrás reinicia produção após 4 anos de paralisação

Sistema Astros, da Avibrás. (Foto: Divulgação/Avibrás)

Empresa brasileira de alta tecnologia atua no setor de defesa, com destaque para o sistema de lançadores múltiplos de foguetes e mísseis de artiharia, desenvolvido no Brasil e reconhecido no mundo como um dos mais avançados em operação

A Avibrás retomou oficialmente suas atividades na manhã desta segunda-feira (4), em Jacareí (SP), após quatro anos de paralisação provocada por uma grave crise financeira. Constituída como uma nova empresa, a Avibrás Aerodo já havia reiniciado a sua produção em São José dos Campos, na última quinta (30). 

A companhia brasileira atua na indústria de alta tecnologia de defesa, incluindo mísseis, foguetes, veículos especiais e lançadores espaciais. Os principais contratos da Avibrás são com a Força Aérea e o Exército brasilero. 

Em nota, a Avibrás Aeroco afirma que “iniciou oficialmente suas operações, reunindo ativos estratégicos e um portfólio tecnológico consolidado de produtos, serviços e sistemas da Avibras Indústria Aeroespacial”. 

“Constituída como uma nova empresa, começa suas atividades com bases sólidas de governança, de estrutura financeira e de operação, alinhadas aos desafios atuais dos setores de Defesa e Aeroespacial e aos interesses de seus clientes, colaboradores e do Brasil”, completa.

Uma reestruturação empresarial e financeira estabeleceu uma nova empresa para garantir a continuidade dos projetos e preservar os núcleos de competência da antiga Avibrás, grande expoente tecnológica da Base Industrial de Defesa brasileira.

A Avibrás recebeu um aporte de R$ 300 milhões da iniciativa privada (incluindo Joesley Batista, da J&F), gerido pelo Fundo Brasil Crédito, e aguarda outro aporte de  R$ 300 milhões do setor público. Esses recursos visam viabilizar a reestruturação da empresa, atualmente em recuperação judicial, e assegurar a soberania tecnológica do país. 

A nova gestão da empresa afirma que “as capacidades de engenharia, industrial e de certificação de produto nas áreas de propulsão e integração de sistemas tornam a Avibrás Aeroco um ativo único, cobiçado e altamente valorizado por diversas nações e de difícil obtenção, diante das restrições à transferência desse tipo de conhecimento”.

A Avibrás é fabricante do sistema de foguetes Astros, considerado a “joia da coroa” da artilharia do Exército Brasileiro. Exportado para mais de dez países, incluindo Indonésia e Malásia, o sistema terá sua continuidade garantida pela nova gestão. 

A nova companhia manterá a parceria com o Escritório de Projetos do Exército (EPEx) para finalizar o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300) — que já conta com 90% do cronograma executado, restando apenas a etapa da campanha de tiro. Paralelamente, a Força Terrestre da companhia avança no desenvolvimento do Míssil Tático Balístico (MTB) S+100. O projeto, que prevê total interoperabilidade com os demais sistemas da Avibrás, é visto como uma solução inovadora e com alto potencial de exportação. As tratativas são conduzidas pelo Comando de Logística (Colog) e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército. 

O diretor-presidente da Avibrás Aeroco, Sami Hassuani, afirma que a prioridade é “alinhar tecnologia e propósito, reforçando o papel das soluções desenvolvidas para atender às necessidades operacionais e estratégicas dos clientes”.

TRABALHADORES EM DEFESA DA AVIBRÁS

A retomada das operações da Avibrás foi possível também após negociações com os trabalhadores. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região a mobilização dos trabalhadores, ao longo de mais de quatro anos, sendo 1.280 dias de greve, possibilitou o cancelamento de demissões e a construção de um plano alternativo de recuperação judicial. Além do acordo para pagamento de dívidas trabalhistas, estimada em R$ 230 milhões, após demissões e atraso nos salários. 

Em 18 de março de 2022 a empresa demitiu 420 pessoas sem negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que contestou os desligamentos na Justiça. No mês seguinte, a Avibrás entrou com pedido de recuperação judicial. Em setembro de 2022, os trabalhadores decidiram iniciar uma greve por falta de pagamento de salários e em defesa da Avibrás.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Weller Gonçalves, ressalta que a mobilização “extrapolou a esfera sindical e chegou à sociedade”. 

“O Brasil inteiro reconhece a importância estratégica da Avibrás para o setor de Defesa. Se a fábrica volta a funcionar hoje, o mérito é todo de quem nunca desistiu”, avalia.

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