Lista de passageiros obtida pela PF revela a presença de Fernando Cavendish em aeronave investigada por falha na fiscalização de bagagens. Caso chega ao STF e aguarda posição da PGR
O caso do voo executivo oriundo do Caribe, já sob investigação por irregularidades na fiscalização aduaneira, ganhou nova dimensão após a revelação de que entre os passageiros estava o empresário Fernando Cavendish, ex-dono da Delta Engenharia e condenado na Lava Jato do Rio de Janeiro.
Ele dividiu a aeronave com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além de outros parlamentares.
A lista de 16 ocupantes do voo — realizado em 20 de abril de 2025, a partir de São Martinho — foi incorporada ao inquérito da Polícia Federal. Também estavam a bordo os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
Cavendish foi condenado em 2018 por participação em esquema que desviou cerca de R$ 370 milhões de recursos públicos. Posteriormente, firmou acordo de colaboração premiada, no qual admitiu pagamento de propina ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, então no antigo PMDB.
O nome dele também ficou marcado pelo episódio da chamada “farra dos guardanapos”, em Paris, símbolo da promiscuidade entre empresários e agentes públicos no auge do esquema.
FALHA NA FISCALIZAÇÃO
O foco inicial da investigação, contudo, não era a lista de passageiros, mas procedimento irregular no desembarque no Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), terminal orientado à aviação executiva.
Segundo a PF, bagagens teriam sido liberadas sem passar pelo raio-X, o que levantou suspeitas de facilitação de contrabando ou descaminho, além de possível prevaricação por parte de auditor da Receita Federal do Brasil.
Até o momento, não há informação sobre o conteúdo das bagagens nem sobre a quem pertenciam.
DO PRIMEIRO GRAU AO SUPREMO
Com a identificação de autoridades com foro privilegiado entre os passageiros, o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal.
O inquérito ficou sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República.
A PGR deverá decidir se há elementos que justifiquem a permanência do caso no STF, se o processo deve retornar à primeira instância em São Paulo ou se são necessárias diligências adicionais antes de qualquer conclusão.
SILÊNCIO E VERSÕES
Procurados, os parlamentares não se manifestaram até o momento. Questionamentos envolvem não apenas a presença de Cavendish no voo, mas também eventual relação com o empresário.
O avião pertence a Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, figura que ganhou notoriedade recentemente ao depor na CPI das Bets, quando negou ligação com plataformas de apostas investigadas. OIG é pessoa ligada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI)
O piloto da aeronave afirmou, por meio de nota, não se recordar do voo específico, mas declarou seguir protocolos padrão, segundo os quais cada passageiro é responsável por seus próprios pertences. O auditor fiscal citado na investigação também não comentou o caso.
IMPLICAÇÕES
Embora ainda em fase preliminar, o episódio combina elementos sensíveis: a presença de empresário condenado por corrupção em voo com lideranças políticas relevantes e falha em procedimento de controle aduaneiro.
A depender dos desdobramentos, o caso pode ampliar o escrutínio sobre relações entre agentes públicos e personagens centrais de escândalos recentes, além de expor fragilidades na fiscalização de voos executivos no País.
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