Detenção “equivale a um crime”, ressalta o documento, frisando que a Flotilha Humanitária para Gaza encontrava-se em águas internacionais, fora da jurisdição do governo israelense. No sexto dia de greve de fome, Thiago Ávila e Saif Abu Keshek relatam ameaças de morte
Em comunicado conjunto na sexta-feira (1), os governos do Brasil e da Espanha condenaram de forma veemente “o sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais pelo governo de Israel”. Os ativistas integravam a Flotilha Humanitária Global Sumud que com dezenas de barcos e 211 pessoas se dirigia à Faixa de Gaza, levando mantimentos para atenuar a grave crise humanitária imposta pelo cerco israelense, condenado pelas Nações Unidas.
“Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades israelenses, fora de sua jurisdição, constitui uma afronta ao direito internacional, está sujeita a julgamento perante tribunais internacionais e configura um crime em nossas respectivas jurisdições”, acrescentou a declaração.
Exigindo o retorno imediato de seus cidadãos, Brasil e Espanha conseguiram o acesso à visita dos membros do consulado que receberam a denúncia de Thiago Ávila que “relatou ter sido submetido a tortura, espancamentos e maus-tratos” pelos carcereitos israelenses.
“Durante uma visita monitorada, na qual ele estava separado por um vidro e impossibilitado de se comunicar livremente, funcionários da embaixada observaram marcas visíveis em seu rosto. Ele relatou dores significativas, principalmente no ombro”, denunciou o comunicado da flotilha. “Apesar de ter sido examinado por um médico, não recebeu atendimento médico adequado. A embaixada agora insiste em tratamento imediato e apropriado”, enfatizou.
O regime de Netanyahu acusa Thiago Ávila e o espanhol Saif Abukeshek de trabalharem ilegalmente com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, uma organização sancionada pelos EUA e descrita como uma “fachada do Hamas” pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA.
34 ATIVISTAS FORAM ARRASTADOS PELO CONVÉS, SOFRERAM FRATURAS NO NARIZ E TIVERAM COSTELAS QUEBRADAS
Conforme esclareceram os organizadores da flotilha, 34 ativistas – entre eles cidadãos da Austrália, Colômbia, Itália e Estados Unidos – foram “socados, chutados e arrastados pelo convés com as mãos amarradas nas costas”, quando “sofreram fraturas no nariz, tiveram costelas quebradas e espancamentos sangrentos”. “Tiros foram disparados contra eles”, que foram levadas para o hospital após retornarem à Grécia, disseram os organizadores.
Após uma visita nesta segunda-feira (4) à Prisão de Shikma, as advogadas da organização de Direitos Humanos Adalah, Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma, relataram o abuso psicológico e os maus-tratos sofridos por Ávila e Abukeshek. Ambos os ativistas estão em seu sexto dia de greve de fome (bebendo apenas água) em protesto contra seu sequestro ilegal e mantidos em isolamento total.
Thiago Ávila relatou ter sido submetido a interrogatórios repetidos que duraram até oito horas, onde o ameaçaram explicitamente pelos guardas israelenses de que seria “morto” ou “passaria 100 anos na prisão”. Suas celas são mantidas sob iluminação constante de alta intensidade 24 horas por dia, uma prática conhecida do Serviço Prisional Israelense (IPS) especificamente projetada para induzir a privação de sono e a desorientação sensorial. Além disso, Thiago relatou ter sido mantido em temperaturas extremamente baixas. Eles são mantidos vendados o tempo todo sempre que são levados para fora de suas celas, inclusive durante exames médicos, deixando evidente que a detenção é uma tentativa de criminalizar a ajuda humanitária e a solidariedade.
A Adalah aguarda para saber se o Estado apresentará um pedido de prorrogação da detenção nesta terça-feira (5), mas continuará exigindo sua libertação imediata e incondicional, além do fim de todos os procedimentos ilegais.
PCDOB PRESTA SOLIDARIEDADE E CONDENA GENOCÍDIO PALESTINO
Liderada pela deputada Jandira Feghali (RJ), a bancada do Partido Comunista do Brasil (PcdoB) na Câmara dos Deputados “exige das autoridades israelenses a imediata libertação do cidadão brasileiro Thiago Ávila integrante da Global Sumud Flotilha que presta solidariedade ao povo palestino vítima de genocídio em Gaza”.
“Thiago e outros companheiros foram sequestrados pela marinha israelense na madrugada de quinta-feira, 30 de abril, em águas internacionais na cercania de Creta, na Grécia. Há informações de que dois dias após o sequestro e detenção criminosa, mantidos sob custódia naval, foram levados ao Centro de Detenção de Shikma, em Ashkelon, Israel, à revelia de autoridades brasileiras presentes na região através da Embaixada do Brasil naquele país”, aponta a nota.
Para o PCdoB, “a detenção de Thiago Ávila configura grave violação das normas do direito internacional, bem como dos direitos humanos fundamentais fundados na Carta das Nações Unidas que rege as relações entre os países”. “É um afronta à relação bilateral entre Brasil e Israel e as autoridades diplomáticas deste país devem dar explicações”, assevera.
“A Bancada do Partido Comunista do Brasil na Câmara dos Deputados ao tempo em que exige do governo de Israel a imediata libertação do ativista brasileiro Thiago Ávila, cobra que sejam prestadas de forma urgente informações sobre as condições de saúde em que ele se encontra e dê garantias da integridade física do ativista”, conclui o documento.











