A casa caiu. Fariseu tentou jogar o escândalo Master no colo do Lula e foi pego com a boca na botija pedindo dinheiro ao banqueiro
Em um áudio divulgado nesta quarta-feira (13) pelo portal Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do fascismo a presidente da República, cobra um montante de R$ 134 milhões do banqueiro ladrão, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O dinheiro era para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro (PL).
Na conversa, que segundo o Intercept, teria ocorrido em setembro do ano passado, Flávio chama o executivo de “irmão” e diz que estará sempre com ele. Em novembro, na véspera da prisão de Vorcaro, houve uma nova troca de mensagens entre os dois.
Em 16 de novembro, após o envio de duas dessas mensagens marcando um encontro na casa de Vorcaro, Flávio diz: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!” Vorcaro responde com uma mensagem de visualização única, ao que Flávio reage: “Amém”.
Ouça a íntegra da conversa de setembro!
CONVERSA ENTRE FLÁVIO BOLSONARO E DANIEL VORCARO

Leia a íntegra da conversa do áudio onde Flávio pede dinheiro a Vorcaro
“Oi, irmão. Preferi te mandar um áudio aqui para você ouvir com calma…
Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei o que vai ser daqui pra frente, como é que isso tudo vai acabar, tá na mão de Deus aí.
E você também, eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí, também, essa confusão toda, e você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado liberdade, Daniel da gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas enfim.
É porque tá num momento muito decisivo aqui do filme. E como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso. Eu fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né?
Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel (ator), no Cyrus (Nowrasth, diretor do filme) os caras pô renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim, né?, com todo o efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme. Pode ter o efeito elevado a menos um, não é, cara?
Então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da vida, porque tem muita… já tem muita conta pra pagar esse mês e o mês seguinte também.
E agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara, perde tudo, todo o contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Se puder me dar um toque aí, irmão, desculpa o áudio longo aí, tá? Abração, fica com Deus, cara”.
Segundo o Intercept Brasil, a conversa ocorreu em setembro do ano passado, e, um dia antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal (PF), houve nova troca de mensagens. Ele foi preso por envolvimento num golpe que provocou um rombo de R$ 50 bilhões no país.
Parte do dinheiro teria sido paga por meio de transferências da Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, de acordo com a reportagem.
Na manhã desta quarta-feira (13), em visita ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, Flávio foi questionado sobre o áudio e se irritou com um jornalista. Ele negou a existência da gravação. “De onde você tirou essa informação? É mentira”, disse ele. Logo em seguida, o senador desmentiu a si mesmo e admitiu, em nota. que o áudio é verdadeiro.
A reportagem afirma que pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio do ano passado por meio de seis operações. A produção do filme seria nos Estados Unidos, coordenada por Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado e que está em solo norte-americano.
Daniel Vorcaro está preso. Entre as instituições envolvidas em suas fraudes está o Banco de Brasília (BRB), que teve um prejuízo bilionário ao comprar títulos imprestáveis do Master. Houve também tentativa de compra do Master pelo BRB, operação que levou para a cadeia o ex-diretor do banco público Paulo Henrique Costa.
O fato apontado no áudio não foi desmentido pela Polícia Federal que afirmou ao Correio Braziliense que o áudio ainda não está sendo investigado pela corporação, mas deve entrar no rol de diligências a serem incluídas no âmbito da Operação Compliance Zero.











