Profissionais da educação da rede municipal de São Paulo decidiram manter a greve após assembleia realizada nesta quarta-feira (13), em frente à Prefeitura. A categoria rejeita a proposta de reajuste apresentada pela gestão do prefeito Ricardo Nunes, que prevê aumento de 3,51% dividido em duas parcelas, sendo 2% em maio de 2026 e 1,48% em maio de 2027. A mobilização reuniu milhares de trabalhadores no centro da capital, em ato que seguiu em caminhada até a Câmara Municipal e a Avenida Paulista.
Após audiência de conciliação realizada no Tribunal de Justiça de São Paulo, o presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo, Claudio Fonseca, afirmou que o sindicato apresentou propostas à administração municipal, mas que os representantes da Prefeitura rejeitaram a negociação.
“A audiência de conciliação no Tribunal de Justiça foi positiva. Conseguimos apresentar propostas e questionar o governo sobre alternativas para resolver a situação. Tanto o procurador da Prefeitura quanto os representantes das secretarias de Educação e Gestão disseram que não estavam autorizados a apresentar propostas na audiência. Nós, porém, apresentamos ao desembargador e aos representantes do governo uma pauta que envolve remuneração e condições de trabalho”, declarou Fonseca.

CONDIÇÕES DE TRABALHO
Segundo ele, a mobilização vai além da reivindicação salarial. “Essa greve tem relação com salário, mas também com a saúde dos profissionais da educação, com o adoecimento das pessoas que trabalham nas escolas, com a necessidade de garantir atendimento adequado às crianças com deficiência, com a educação inclusiva, com os profissionais readaptados e com a realização de concursos públicos.”
A assembleia dos servidores decidiu pela manutenção da greve e realizar nova manifestação na sexta-feira (15), às 11h, em frente à Prefeitura. “Mesmo com a aprovação desse reajuste ridículo, continuaremos na luta para que a Secretaria Municipal de Educação apresente propostas efetivas para melhorar as condições de trabalho e garantir saúde aos profissionais. Quando a escola adoece, toda a sociedade adoece”, afirmou.
AUDIÊNCIA PÚBLICA
Na terça-feira (12), representantes da Coordenação das Entidades Sindicais Específicas da Educação Municipal de São Paulo (formada por Sinpeem, Sedin e Sinesp) participaram de audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo para discutir o Projeto de Lei 354/2026, que trata da revisão geral anual dos servidores municipais. Durante o encontro, as entidades apresentaram um substitutivo ao texto enviado pela Prefeitura e criticaram o impacto da proposta sobre a carreira da educação.
As lideranças sindicais afirmaram que o projeto “enfraquece a carreira, retira direitos, desvaloriza os profissionais e compromete a qualidade da educação pública municipal”. Também destacaram que a campanha salarial não se restringe à questão remuneratória, mas inclui denúncias de sobrecarga de trabalho e adoecimento na rede municipal de ensino.
A Coeduc rejeita o índice de reajuste proposto pela Prefeitura e critica dispositivos do PL, como os artigos 15 e 16, que impedem professores readaptados de exercer a Jornada Especial Integral de Formação (Jeif); o trecho que prevê a transformação do cargo de Professor de Educação Infantil (PEI) em Professor de Educação Infantil e Ensino Fundamental I (Peif), o que, segundo as entidades, pode reduzir salários em até 33%; e o artigo 13, que amplia para 30% o limite de contratação temporária de professores e auxiliares técnicos de educação.
As entidades classificam as medidas como “grave ataque aos servidores” e apontam risco de precarização do serviço público. Como alternativa, o substitutivo apresentado pelos sindicatos propõe reposição integral da inflação, aumento real de 10%, incorporação progressiva de abonos complementares, realização de concursos públicos e medidas voltadas à saúde ocupacional, educação inclusiva, infraestrutura escolar e valorização profissional.
O Projeto de Lei 354/2026 já foi aprovado em primeira votação na Câmara Municipal e deve passar por nova apreciação dos vereadores.











